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Segunda-feira, Agosto 10, 2009
TÁ CHOVENDO NA MINHA HORTA
E o tempo passou e nada mais faz o mesmo sentido. Não adianta querer voltar porque o que estava lá já não é mais como era antes. Apenas nós somos justamente os mesmos, nem piores e nem melhores, e as coisas vão ocupando o seu devido lugar, mas no passado. E a vida se encarrega de ajustar as coisas e acaba encontrando algum destino para aquilo que se perdeu.
Quando me pergunto por que escrevo essas crônicas, fico imaginando algo que dê sentido às coisas que quero contar aqui. Ninguém é tão ingênuo para imaginar que escrevo para mim mesmo. Muito pelo contrário, escrevo para ser lido. Escolho os meus melhores pensamentos e mando ver. A minha intenção é dividir as minhas ideias, os meus dias e as coisas que vivi.
O título chamou a sua atenção? Beleza. Jornalista tem mania de manchete e eu consegui o que queria, mas as palavras só compõem uma frase impactante. Não vá pensar que isso está acontecendo comigo. Pudera. Tenho muito mais sorte no jogo. Além do mais, se chovesse na minha horta eu estaria colhendo e comendo bem quietinho. Não sou homem de anunciar esse tipo de coisa.
Que bom que inventaram a palavra ‘coisa’, para traduzir aquilo que não sabemos como chamar – é a coisa toda sem nome. As coisas fazem parte da nossa realidade. A coisa é tudo aquilo que existe ou que pode existir. É o fato, é o mistério, é o diabo.
É incrível o esforço que precisamos fazer para que nossas vidas façam algum sentido. Para que a 'coisa' toda faça sentido. As minhas crônicas fazem sentido para mim, mas se o tempo passar eu não escrever, pelo menos, tenho a possibilidade de manter tudo o que pensei arquivado em algum lugar.
Você já observou que as obras tiram proveito comercial do nosso sentimento? Acho que a música é quem melhor aproveita o sofrimento alheio. As composições geralmente nascem de grandes fossas e vendem em cima da fossa dos outros.
Por que será que a tristeza cria obras tão fantásticas?
Algumas letras são de uma inspiração que nem mesmo conseguimos explicar, senão a identificação que sentimos. Parece que foram sopradas do além. E pagamos qualquer preço para que aquilo seja nosso – nos identificamos porque sofremos igualzinho ao outro. E lá no fundo o que estamos levando para casa não passa de uma duplicata.
Mas, o que quero pensar é o real sentido que damos à nossas vidas. Tem pessoas que colocam todas as suas forças no trabalho, para dar razão ao seu dia; tem quem se dedique plenamente à família e aos filhos, para dar significado à suas vidas; também tem quem prefira se dedicar aquilo que é sagrado para si, para dar um rumo à sua existência. Enfim... cada um encontra prazer e coloca o seu coração nas coisas que lhe fazem bem.
O que chama à minha atenção é quem aposta todas as suas fichas no amor – ou na busca dele. Não que eu seja contra, já fui adepto dessa busca, mas tá na cara que quem procura acaba encontrando merda. O amor acontece nos lugares onde não supunha a nossa imaginação. O conselho que sempre ouvi é que estejamos na vida simplesmente porque ela se encarrega dos ajustes e dos encontros.
Agora experimente tirar algo que seja muito importante na sua vida para ver o que acontece. Experimente desviar o foco do seu objetivo – se é que você tem um – para ver se ela continuará fazendo o mesmo sentido. Elimine algum amigo especial; demita-se do seu emprego; desista da sua família, deixe de falar com pai e mãe ou filhos; deixe de fazer o que você mais gosta para entender o tamanho do buraco negro que vai se abrir na sua frente. Entretanto, imagino que a ausência mais dolorosa seja aquela da pessoa que você escolheu amar – que dá sentido aos seus dias.
Por outro lado, tem coisas na vida que perdem o sentido de uma hora para outra. Por algum motivo você percebe que aquilo que antes era importante, agora não é mais. Com o tempo você entende que as coisas não são exatamente como você pensava. Pronto, aquilo finalmente vai ocupar um lugar no seu passado.
Pare e pense no que realmente dá sentido à sua vida. Difícil não? Se você acha que essa tarefa é fácil nem vamos complicar. Fique com as suas certezas. No meu pensamento o que mais importa são as pessoas. À medida que vou eliminando as coisas que gosto fica aqueles que amo, numa ordem de preferência. Lá no fundinho vou parar num só coração, que, na verdade, ocupava a primeira posição da minha medida e eu é que não via.
Sendo assim, o quê mais posso querer senão que a coisa toda faça sentido e que a minha colheita seja sempre boa? Que chovam amores para mim e para você!
Imagem: gettyimages
That's all folks!
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ZÉ | 12:03 AM | 40690894
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