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Quarta-feira, Julho 29, 2009
ROQUEFORT & CABERNET
A madrugada tá gelada na minha cidade e a previsão é de que as temperaturas baixem ainda mais em quase todo o país. No Sul os termômetros têm marcado menos de um grau. Dizem que não dá vontade sequer de tomar um banho. Não tem roupa que chegue para que as pessoas se sintam aquecidas. Como será que os indivíduos sobrevivem no Alaska? Vai saber.
Tenho aproveitado o inverno no Rio para oferecer queijos e vinhos quando recebo alguém para um bate-papo. Vou contar o segredo dos chefes menos afortunados. O pão italiano acompanha bem a seleção de queijos e algumas pastinhas incentivam os convidados a encherem as suas pancinhas de pão. Se você não entendeu eu explico... é que o pão faz a coisa toda render. A visita não vai nem notar que começou no pãozinho e se sentirá super satisfeita após provar os vários queijos. Além do mais, vinho sem farináceo te deixa embriagado! Até na Santa Ceia foi oferecido pão e vinho. Por favor, não espalhe a minha estratégia para ninguém.
Queijos e vinhos me lembram um evento filantrópico do Rotary Club, da minha cidade natal. Toda cidadezinha que se preze tem a instituição a serviço da comunidade, mas não é a única não. Lembro da Liga Feminina de Combate ao Câncer, lembro da APAE, lembro das gurias que debutavam para trabalhar nas causas sociais, lembro das Ações da Pastoral do bairro. Acho que estou um pouco desatualizado, mas sei que a cidade prospera nesse sentido. Quero dizer que o índice da pobreza aumentou e com ele o número de entidades que pretendem ajudar também.
A festa de queijos e vinhos não era só um evento filantrópico e sim um evento social – da "granfinada". Vinha a imprensa local e o encontro virava notícia. A coluna social da Zita Pereira "bombava" por uma semana inteira com as fotos das personalidades e seus "modelitos" vindos de NY.
Do meu bolso saíam umas 180 pratas para a causa. Um valor bem destinado. Os pratos realmente eram de dar água na boca. O meu queijo preferido era um desses que cheiram a mofo, chamado Roquefort do tipo gorgonzola. Esse queijo é uma delícia e tem uma verdadeira colônia de bactérias azuis no seu interior. Para você ter uma ideia o preço do quilo dessa belezinha é em média 228 reais. Pesquisei no supermercado Zona Sul. Mas, na tal festa tinha dos queijos mais cheirosos e saborosos aos mais fedorentos.
Por que será que tem queijo que cheira tão mal? Por que será que uma taboa de frios tem peso de ouro? A culpa não deve ser da azeitona nem da cereja. E o preço do bom vinho então? Tá pela hora da morte. Pior... o meu fígado só aceita os vinhos mais caros. O cara é nada bobo!
Contudo, no final das contas, a quantia arrecada pelo Rotary sustentava por um bom tempo alguma instituição de caridade. Enquanto a socialite se divertia, e se empanturrava de queijo, alguém era beneficiado do outro lado. O evento cumpria a sua função social.
Sabe o quê me fez lembrar os queijos e os vinhos e ainda me fez transformá-los em texto? O fato de eu não ter aquele bico que lacra novamente a garrafa depois de aberta. Nem sempre a mesma rolha perfurada veda e armazena o que sobrou. Detalhe... aqui em casa sempre sobra vinho porque uma pessoa não consegue tomar duas garrafas inteiras! Sim... uma não será suficiente.
Vinho bacana para acompanhar pão e queijo é vinho tinto. Sempre conto três garrafas para cada dois convidados. Já nem sei se as pessoas gostam mais da minha companhia ou da bebida dionisíaca. Tomara que o meu ibope esteja melhor do que o ibope do vinho do deus grego. Assim espero!
Você já ouviu falar em Roberta Sudbrack? Se ela conhecesse a forma como sirvo os meus convidados ela me jogaria na fogueira. Parece que toda a terça-feira é o dia da degustação do menu da chefe. As porções servidas são tão minúsculas que você sai do restaurante com fome. Pior é ter que deixar por lá uns 300 reais por cabeça. Sério!
Já na minha casa tudo é de graça. Geralmente sirvo um bom Cabernet Sauvignon, mas, às vezes, me arrisco num Malbec, num Carmenere ou Merlot. Não que eu seja um expert em vinhos, mas aprendi a apreciá-los. Cada nome citado leva a uva de determinada região. Sempre prefira os importados, podendo ser dos nossos hermanos uruguaios, chilenos ou argentinos. Ah... se for reserva o vinho é bem mais encorpado e forte. Prefira também de safras com mais de dois anos. Se você pagar mais de 30 pratas as chances dele ser bom aumentam. Já experimentou ressaca de vinho barato?
Na última sexta Conceição saiu daqui de casa dizendo – filho você não tem uma espátula para a pastinha nem mesmo espetinhos de queijo. Disse assim mesmo, no diminutivo. Completou ainda – como você está servindo os convidados? Na próxima semana vou dar um pulo no calçadão de Madureira para comprar esses utensílios para você.
Pois não é que no domingo passado, estando sem programação e sozinho, resolvi passear na Tok & Stok. Achei todas as quinquilharias que Conceição não compraria e que os homens solteiros não têm em casa. Comprei fôrma de pudim, queijeira, espetinhos, garfos de sobremesa, bocal de vinho, enfim. Fiz a festa da minha tarde de domingo. Me senti no meio do caminho entre a Spicy, diga-se uma loja caríssima, o calçadão de Madureira e a sorte.
Não faço à menor ideia de como terminar o meu texto de hoje. Vamos às possíveis cognições: o frio convida ao bom vinho, que vai bem acompanhado com queijo e pão, que convida à boa companhia que merece ser bem servida. Tá aí... no fundo o que a gente quer, além do bom vinho, é o carinho do outro.
Soube que no Rio também tem Rotary, mas nunca fui convidado para apreciar um bom Roquefort ou um bom Cabernet. Adoro os bons queijos e os bons vinhos. Se me chamarem para a boa causa eu vou de coração aberto e embriagado da boa vontade e do bom vinho, claro!
Foto: gettyimages
That's all folks!
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ZÉ | 1:20 AM | 40683233
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