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Sábado, Junho 27, 2009
ALTAS HORAS
Eita sensação gostosa andar pelos corredores do Santos Dumont e aguardar o atraso da aeronave da TAM. É inverno na Baia de Guanabara. São dias de uma neblina que lembram os arredores do castelo do Conde Drácula, daí o atraso. As pessoas estão bem trajadas nos seus uniformes de executivos sóbrios. Confesso que me senti deslocado com o meu jeans surrado, mesmo que CK, e o meu tênis desbeiçado. Sempre fui de andar alinhado, mas ultimamente me agrada um jeans e uma camiseta básica sem estampa.
Adoro a cidade de São Paulo, mas com chuva fiquei literalmente socado no quarto do hotel. Nem tive vontade de me deslocar até o Morumbi Shopping, que ainda não conheço e que ficava a alguns passos. Na verdade, o que me manteve no quarto foi o bolso vazio. Shopping convida à compras. Na tv passava o jogo da seleção contra a África do Sul. Esperei, como todo mundo, pelo gol nos 43 do segundo tempo. Vai ter sorte assim lá em casa.
Tenho um meio-projeto de viver naquela cidade. Adoro as suas alamedas, os seus restaurantes, as possibilidades de trabalho, e a vida nos quase mil metros acima do nível do mar. Por hora tenho raízes profundas e laços pessoais que me mantém de pé aqui no Rio. São raízes que se bem regadas vão me manter feliz e estável por muito tempo. Claro que nada me impede de viver na ponte aérea e manter um cafofinho por lá, mas pra isso preciso de um belo motivo – mais do meu ofício.
De tudo o que contei até aqui faltou dizer que fui à São Paulo a trabalho e o melhor, fui patrocinado pela Globo. Só vou revelar que não consegui cobrar o taxi da minha casa até o aeroporto, marchei com 80 pratas. Se você não negociar detalhes com antecedência, eles te tiram o couro. Mas, o que se aprende em cada novo trabalho vale o investimento.
Assim que entramos no programa do Serginho ouvi ao pé do ouvido que Michael Jackson havia falecido, nem acreditei. Logo me ocorreu os vários concertos que o astro faria nos próximos dias e pensei – meu Deus e agora? Bem... o show tinha que continuar e enquanto não se tinha uma informação de fonte oficial o apresentador resolveu jogar umas imagens do ídolo pop no telão. Achei de uma delicadeza que só. Não sei se as cenas irão ao ar como foram gravadas, estávamos chocados.
Sabe do me lembro? Tinha uns 12 anos quando Triller fez sucesso. Na casa antiga da minha mãe tínhamos uma vitrola. Lá eu ouvi inúmeras vezes o long play do Michael. Ensaiei alguns passos no soalho de madeira. Lembra daquele passo que se deslocava o corpo pra trás – andando na lua? Pois é... surrei muitas meias com ele. Vou ficar com a máxima da Madonna que disse: “A sua música viverá para sempre”.
Sabe por que é extremamente simpático assessorar grandes artistas? Acabamos por viver junto deles o que de bom eles vivem. E ninguém é idiota de negar que o dinheiro e a fama compram o bem estar, o bom atendimento; compra glamour, festas, chofer, limusine; compra hotéis, os melhores restaurantes, e o que a vontade desejar.
Nunca perco a noção de que estou trabalhando e que as coisas se dão ao mesmo tempo. Posso exigir o translado e a hospedagem. Posso pedir frutas, champagne, maquiadores, cabeleireiros, e que a imprensa fique longe. No entanto, se eu não ficar atento, alguém me engole e como resultado quem fica exposto é justamente pra quem estou prestando um serviço. Costumo montar guarda em frente às questões que surgem a todo instante. Só deixo chegar a informação que é extremamente necessária. Os incômodos eu tento resolvê-los e guardo-os pra mim.
Fico imaginando que uma parte dos assessores do Jackson será enterrada junto dele. Acabamos vivendo a vida dos nossos astros, são escolhas, e quando eles se vão de alguma forma perdemos o sentido de ser.
Sinto-me um cara premiado pela vida por assessorar um astro. Peço permissão aos deuses pra que isso seja pra sempre, mesmo que seja uma ilusão.
Evoé aos meus ídolos. "We are the world" pra todo mundo.
O Altas Horas vai ao ar na madrugada de hoje. Não me detive em detalhes pra que você o assista. Soube que reprisa no Multishow durante a semana.
Foto: arquivo pessoal
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ZÉ | 10:52 AM | 40662063
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Terça-feira, Junho 23, 2009
PATAVINAS
Adoro quando meus amigos reaparecem do nada. Tem semanas que todo mundo resolve me procurar e em outras parece que o mundo inteiro me esquece. Estranho, parece coisa combinada. Imagino que a Física diria que isso se dá pela emissão de energias que se atraem ou que se repelem de um para o outro.
Acabo de receber um telefonema tão simpático. Confesso que tava com saudades. É bom ter identificador de chamadas, não? Quando reconheço o número tenho a chance de não atender. Isso porque os números de telefones que não reconheço definitivamente não atendo. Para isso contratei os serviços da minha secretária Panasonic. Adoro essa mulher. Ela tem uma capacidade de filtragem impressionante.
Nunca fui de maiores delongas ao telefone. Estou tão acostumado com o e-mail e o Orkut, ambos me atendem muito bem. Não me canso em digitar cada palavrinha que faça com que meu interlocutor não só me entenda, como também sinta o que pretendo dizer. Não é a toa que dedilho com facilidade as minhas crônicas.
– Você é escritor? Perguntou uma amiga. Respondi que não e ouvi em silêncio – bem, para mim quem escreve é escritor. Depois ouvi – você é filósofo? Respondi que não, eu sou jornalista – bem, ouvi que os pensadores das questões humanas geralmente filosofam sobre as dúvidas coletivas, portanto são filósofos. No final fui chamado de artista com alma de filósofo. Acabei aceitando.
Sempre fui um cara cheio de dúvidas e que vive desistindo das ideias no meio do caminho; que não tem certeza do que diz; que esquece a metade do que aprendeu. Sério. Aparento ser meio burrão por conta da falta de memória. Você concorda que é mais inteligente o cara que tem maior capacidade para armazenar informação? Ele pode não ser criativo, ou mesmo não saber o que fazer com o conhecimento adquirido, mas que o sujeito leva vantagem... ah leva.
Tô recebendo outro telefonema e reconheço o número que me chama. Vou atendê-lo. Pausa.
– Alô, é o Zé? Respondi – não, é a vovozinha! Quem mais poderia atender ao telefone nessa casa? Claro que é o Zé, pode falar meu bem – estou passando aí para tomarmos um chimarrão. Nossa... como fico feliz quando meus amigos se achegam. Sempre ouvi deles que moro longe, que aqui é distante de tudo, que aqui é o fim do mundo. E, preciso concordar na maioria das vezes.
– Se você vem mesmo vou preparar um espaguete com molho de frango e ervas finas. Ouvi o seguinte da garota – mas eu não mereço isso. Respondi – você merece camarão, mas nesse momento eu só tenho frango. Você vem? Resmunguei docemente para poupar o trabalho do preparo do meu macarrão caso a garota não viesse.
Beleza... vou confessar que adoro uma visita de última hora. Daquelas que você fica todo perdido, mas que fará o possível para que ela seja bem recebida. Um segredinho meu: se você não tem quase nada em casa o antepasto mais fácil de oferecer, que dispensa o prato principal e que fica muito simpático é uma bruschetta. Quero dizer, muitas bruschettas.
Vamos à receita: pegue algumas fatias de pão, preferencialmente o italiano, mesmo que dormido. Passe uma manteiga com um pouco de alho amassado, jogue por cima tomates picados, azeite, orégano e parmesão. Vale catar na sua dispensa qualquer especiaria, basta ser criativo. Hum... fiquei com água na boca. Ah... não se esqueça de levar ao forno para gratinar. O cheirinho bom vai invadir a casa e a sua visita vai amar.
Engraçado. Quando eu penso nos meus talentos percebo que jogo nas dez. Já ouviu essa expressão? Pois é... sou um cara que sabe um pouco de tudo e que no fundo não sabe nada por completo. Sou meio escritor, meio jornalista, meio filósofo, meio marqueteiro, meio chefe de cozinha, meio fotógrafo, meio artista, meio blogueiro, meio da vida e meio do mundo. Ok... achei as 10 classificações que mais me agradam. Você já se deu conta de quantas aptidões tem?
‘Patavina’ quer dizer coisa nenhuma, nada. Mas, sabe qual certeza eu tenho por inteiro? Que sou um grande homem e para isso eu me valho a pena!
Foto: arquivo pessoal
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ZÉ | 8:04 PM | 40659707
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Domingo, Junho 21, 2009
ENTRETÍTULOS DE JAQUE
Peguei um bom Faber Castell pra escrever sobre a nossa velha infância e sobre meus medos. Relembrei de coisas do passado como cata-vento, torta com baba de moça, a Fada Azul de Pinóquio, a inesquecível Liga da Justiça, entre tantas outras coisas. Lembrei de um tempo bom que insiste em continuar vivo na minha lembrança.
Joseph, você com certeza faz parte dessas lembranças maravilhosas. Espero que em breve possamos ter o nosso reencontro ensaiado, para compartilhar nossos segredos de liquidificador e pra descobrirmos que não somos seres complexos, assim como pensávamos.
Aos poucos, vamos nos dando conta de que para nossa felicidade ser completa, basta arrumarmos um tempo no tempo. Será bom se pudermos sentar em qualquer boteco pra pedir dois cafés e a conta. Ficaremos jogando conversa fora, talvez falando sobre a lenda do café em grão ou sobre nossos amores imperfeitos. No entanto, se arrumarmos um tempo maior, vamos descobrir as coisas que mais gostamos, como, por exemplo, as tirinhas da corrida da Maria Cebola.
Talvez vamos descobrir que algumas pessoas, que passaram pela vida da gente, possuam garras de adamantium e que as utilizaram para nos ferir. Elas serão apenas mais uma pedra no sapato nessa grande rede de ilusões que criamos constantemente. Mas a inocência do pequeno Arthur parece um raro artigo de colecionador e tem peso de ouro, é pra essas pessoas que devemos dar a nossa atenção. Depois de muito papo vamos descobrir que o que buscamos é apenas um lugar pra se viver e pra sermos felizes. Mesmo contrariando dr. Goldin, que ele não nos pergunte o tempo todo - quem somos nós?
A ordem das coisas, nem mesmo o tempo, alteram o que sentimos. Muitas vezes, nos vemos como um barco à deriva, num oceano sem fim, tentando explicar nossa existência com a Teoria da Bolha que quase nunca funciona.
Nessa busca diária pela felicidade, pensei em colocar um anúncio num jornal ou num perfil que dissesse: Homem (mulher) Sozinho (a) Procura, mas por quê? Procura quem? Procura o quê afinal? Talvez um anjo que nos ensine que gentileza gera gentileza e que não somos feitos somente do cromossomo Y, mas sim de muitas outras verdades. Quem sabe no nosso anúncio haja espaço para vender coração e vender camarote. E o valor? Do camarote pouco importa, mas nosso coração não tem preço.
Já que em algumas atrações da vida um beijo vale meia-entrada, quem sabe com um pouco de sorte ele valha a nossa cara-metade inteira? Mas, se iniciarmos apenas relações de aluguel, nos dias de hoje, convenhamos, já estamos no lucro.
O importante é que sempre teremos alguns princípios básicos, como por exemplo: não usamos Black Tie a não ser que se faça extremamente necessário. Somos da geração jeans e camiseta, é assim que vou ao nosso encontro. Contudo, sabemos que se nos comportarmos bem teremos uma recompensa no final. Afinal, meninos bons vão para o céu.
O pulo do gato será quando descobrirmos que assim como homens e pinguins também fazemos parte desse mundo maluco e que de loucos e santos e mestre cuca todos temos um pouco. E, com o passar dos anos poderemos nos dar um presente pro coração. Sentaremos para observar aquele cara que era só um Zé, que continua sendo um Zé, mas que descobriu a felicidade de viver. Se ele é um ariano torto, não tem mais importância.
Talvez não tenhamos mais tempo pra passarmos nossas vidas em um cromaqui e ajeitar as imagens da forma que mais nos agradem. Nem mesmo adiantará apertar o botão rewind do controle de nossas vidas. Vamos apenas seguir.
Mais uma vez faremos do nosso teclado confidente nosso melhor amigo. Não sejamos como um João bobo teimoso, saindo à francesa, mas nos mostremos enquanto é tempo. Nunca esqueças as tuas origens, afinal são coisas da vida e foi lá o inicio de tudo, não é? E pra entender meu (seu) Blog Post basta um encontro, um café e a boa companhia. Assim, aprenderemos a nos conhecer e faremos uma enorme Carnavália, divertida e alegre.
Depois de tantos carinhos e tantos inhos, sabe qual é o cúmulo do que gosto? Das boas lembranças como as calotas Wolksvagen. Agora chega de tantas pacas, poucas e picas. Vou deixá-lo trabalhando aí. Tudo isso é só pra dizer que você é meu amigo muito querido e extremamente especial.
Amado, meus beijos.
De sua JAQUE, ou Ellis, ou Flávia, ou Janaína, ou Ana Gabriela cravo e canela, ou as Alines I e II.
Essa garota linda – a Jaque, me presenteou tem alguns dias com esse texto. Na foto aparece ela e a filhota. Ela usou os títulos das minhas publicações pra dizer que gosta um montão de mim. Muitíssimo obrigado.
Foto: do Orkut da Jaque
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ZÉ | 10:53 AM | 40658118
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