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Joseph Meyer
Jornalista
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Sexta-feira, Junho 12, 2009

A CORRIDA DA MARIA CEBOLA



Estava zapeando os mais de cinquenta canais que compõem o pacote coletivo da TVA que o meu condomínio disponibiliza. Por incrível que pareça a programação mais óbvia desse dia 12, pelo menos nos canais com programação nacional, teve como tema o Dia dos Namorados. Coisa de brasileiro fazer esse dia cair na véspera do dia de Santo Antônio Casamenteiro. No resto do mundo o Dia dos Namorados é comemorado no dia 14 de fevereiro.

Já imaginou o árduo trabalho do Santo num dia como hoje? Pensando bem ele só atendeu aos pedidos daqui. Como sempre damos o nosso jeitinho.

Sou a favor de que os pombinhos tenham um dia só para si e que isso inclua a programação inteira de uma TV. Também estou de acordo que no mundo inteiro se comemore o dia dos casais apaixonados, mesmo que num dia diferente do nosso. Sejam eles de um amor recente ou por quem viveu uma vida inteira para alguém.

Eu sempre me emociono com as histórias de amor que vejo no cinema. Montei torcida por Romeu e Julieta, pela Bela e a Fera, pelo Barney e a Vilma, pela Rose e o Jack, por King Kong e Ann Darrow e pela namorada secreta do Bob Esponja. Pareço mais um bobão que fica torcendo pelo final mais feliz entre o mocinho e a mocinha, ou entre a mocinha e o bandido arrependido. Eu sou um romântico incorrigível e para mim pouco importa o quanto estranho pareça o casal.

Semana passada li um texto de uma amiga que dizia o seguinte: só tenho sete dias para arrumar um namorado para não passar o próximo dia 12 sem dar pelo menos um beijinho. Claro que fiquei zoando a garota. Ela revidou e mandou a seguinte pergunta – amor das antigas pode? Respondi dizendo que para o amor não existem critérios nem mesmo padrões, nem receita, nem tempo, nem nada. Amar é simplesmente se deixar levar pela onda de prazer que o outro proporciona incondicionalmente e pelo tempo que ela existir. Atenção! O tempo é diferente para as partes.

Tava pensando... meus amigos se dividem em duas castas bem distintas: a dos casados e a dos solteiros. Acho que transito melhor nessa segunda – a dos Dalits impuros. Namorei muito quando moço, noivei algumas vezes, casei muito cedo. Depois de velho tive inúmeros amores; tive belas companhias e mais tarde voltei a ser virgem, se é que isso é possível.

Lembro de uma amigona que dizia – poxa... à medida que amadurecemos nos tornamos cada vez mais exigentes. Depois do divórcio só resta me entregar para alguém exatamente igual a mim. Procuro alguém com a mesma idade ou um pouco mais velho; procuro um cara com o mesmo nível sócio-cultural; procuro alguém graduado, ou pós-graduado, e melhor se for mestre ou doutor; também será ótimo se o sujeito tiver uma casa e um carro, melhor ainda se morar bem perto de mim; para completar o cara nem precisa ser um príncipe, basta que seja cheiroso e homem.

Beleza! Mulher com mais de 30 deve comer o pão que o diabo amassou para arrumar namorado. Homens com a mesma idade geralmente estão estabilizados, já possuem um trabalho, são independentes, mas também são casados. Homens com menos de 30 não servem, eles pensam que sabem o que realmente não sabem. Homens com 40 preferem mulheres de 20. Homens com 50 preferem as amantes. Contudo, se o cara tiver muito tempo divorciado é porque não serve para ninguém.

Restou o quê?

Imagine um pequeno lugarejo chamado Brejo Seco e uma afortunada herdeira chamada Maria Cebola, que não primava de muita beleza. O pai, temeroso de ver a filha encalhada resolveu promover, à maneira dos coronéis, uma corrida no vilarejo. O velho ordenou que os rapazes da cidade, que fossem literalmente agarrados pelas donzelas núbeis, no dia da gincana, deveriam obrigatoriamente se casar.

A corrida da Maria Cebola é uma história em quadrinhos criada pelo cartunista americano Alfred Gerald Chaplin, ou Al Capp. Bela solução do autor para as moças casadouras de Brejo Seco. A Família Buscapé é uma de suas mais importantes criações.

Sabe por que contei essa historinha? Para te desejar um feliz Dia dos Namorados. Se você tem alguém, amarre. Se você não tem, que a caça seja muito proveitosa, agarre. Foi-se o tempo que era só o macho quem caçava. Dia 13 é dia do Santo Casamenteiro, se não deu hoje reze para ele amanhã.

Fonte: Wikipedia

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Domingo, Junho 07, 2009

CALOTAS VOLKSWAGEN



Andei visitando o meu passado para ver se conseguia melhorar alguma coisa dos dias daqui. É tarefa difícil, mas nada impossível. Quando compreendemos o porquê das coisas serem como são ou, nesse caso, por terem sido como foram nós experimentamos a paz. O simples fato de pensar esses movimentos nos traz esclarecimentos das nossas atitudes de hoje.

Nos últimos dias fuxiquei compulsivamente o Orkut em busca dos meus amigos de antes. Incrível é o poder dessa ferramenta. Reencontrei exatamente quem eu procurava há anos. Dá uma pena saber que os amigos também somem na terceira pessoa, sumimos uns dos outros.

Resultado da minha busca? Encontrei a Diva, o Sidy, a Lu, a Cintia, a Jaque, a Rose e o Pedro. Meu Deus como eu fiquei feliz. Eles são boa parte da minha história. Através deles eu sou o cara de hoje, com as experiências que vivemos juntos; com nossos conflitos; com nossos acertos; com as coisas que deram bem erradas; com o que cada um podia dar.

Tudo isso me fez lembrar o dia em que lotei o meu Volkswagen Voyage 81 e fomos parar na Lagoa dos Patos – um lugar mágico. Imagine um bando de moleques recém saídos da fralda, quase mega responsáveis, mas todos vacinados! Beleza... vale a pena recordar alguns detalhes:

O carro está lotado e no banco de trás couberam cinco pessoas de uns 50 kg cada. Naquela época éramos todos magros e um podia sentar no colo do outro. Contrariamos todas as regras de segurança possíveis. Mas, atenção, eu não aconselho a nossa façanha para ninguém. Só vale lembrar pela saudade que sinto e porque era o tempo das descobertas. Hoje, temos a certeza de que o pior nos espreita na virada da esquina de casa.

Aumente o som do carro o mais alto possível; viaje uns 120 km de asfalto, com as mais belas paisagens e mais uns 20 de estrada de chão batido; chegue ao local com a chave da casa na mão. Faça isso para impor respeito, ou a exiba como troféu.

No café da manhã ofereça o lanche mais nutritivo que você conseguiu comprar no boteco improvisado no quintal do teu visinho – o cacetinho com margarina e mortadela. Para quem não conhece, cacetinho é o nome local do famoso pãozinho francês. Mas compre muitos porque cada um comerá no mínimo cinco.

Para o almoço pense num panelão de macarrão coberto com aqueles deliciosos molhos prontos da Cica. No boteco só encontramos esta marca. Pro nosso azar ela não vem com pedaços de cebola nem de tomate e mais parece uma polpa ácida de licopeno. Adivinha? A tal macarronada mais parecia um banquete oferecido aos deuses. E, para beber, Fanta uva ou laranja.

Depois de muita praia de água doce, de muitas brincadeiras com bóias de pneu de caminhão, mais aquele monte de fofocas e desentendimentos, vem à hora de dormir. Agora imagine aquele monte de hormônios jogados pelos colchões da casa inteira e mais um monte de pés que roçavam uns nos outros. Detalhe... ninguém ficava impunemente com alguém, como acontece nos dias de hoje. Se pegasse tinha que contar para o outro entender que perdeu todas as chances.

Contei essas breves lembranças, alternando os tempos indicativos, em busca de alguma coisa que se perdeu no passado e que vai muito além da saudade. Fui buscar meus amigos e meus amores. Fui buscar a mim mesmo. Quis saber como eu seria recebido por elas. Todas estão incrivelmente mais belas. O tempo nos faz muito melhor.

Claro que contei apenas uma das boas aventuras clandestinas que vivi. Nessa rede de reencontros alguns não têm relação entre si senão por terem vividos na mesma época. De alguns me impressionei por despertar o mesmo sentimento de antes – a mesma atenção, o mesmo carinho, a mesma vontade de estar juntos novamente.

Outros se limitaram a contar como vai a sua vida e tão-pouco quiseram saber da minha. Confesso que esperei mais, mas isso é coisa que preciso resolver em mim. Outros apareceram como anjos e permanecem diariamente por perto, mesmo que no mundo virtual. E de outros, entretanto, tenho a certeza que reencontrarei em algum tempo para o abraço apertado, para ficar para sempre em mim.

Para finalizar, o quê encontrei nesse passado? Pude perceber que o cara de antes, para mim e para essas pessoas, é muito parecido com esse cara de hoje. Sei lá - coisas da vida - essência. Deixei na impressão desses amigos um alguém que só quis o bem para si e para o outro; que um dia lotou o seu volante para descobrir a vida, para vivê-la simplesmente; um cara que tem a certeza de quanto vale a pena voltar aos lugares do passado. Não digo só para recordar, para ter na lembrança, mas sim para me certificar de que somos tão melhores quanto fomos antes.

Foto: blog.estadao

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posted by ZÉ | 9:34 AM | 40649292 | |


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