AUTOR
Joseph Meyer
Jornalista
Rio de Janeiro
ENTENDA O BLOG
Prefácio
CRÔNICAS
Meu Alter Ego
Tá Chovendo na Horta
Do Fundo do Coração
Roquefort & Cabernet
O Amor Tudo Aquece
Uuupa!
Patavinas
Janelas Abertas
Maria Cebola
Calotas Wolksvagen
Garras de Adamantium
A Ordem das Coisas
Contrariando Dr Goldin
Seres Complexos
Sobre Homens e Pinguins
Cúmulo do que Gosto
Uma Pedra no Sapato
João Bobo Teimoso
O Pulo do Gato
Gentileza Gera Gentileza
Botão Rewind
Fada Azul de Pinóquio
Liga da Justiça
Mestre Cuca
Cromaqui
Relações de Aluguel
Dois Cafés e a Conta
Deriva
ARQUIVOS
BLOG ENSAIOS TEATRO O AUTOR NOTAS AO BLOG

Leia primeiro:PREFÁCIO

Sexta-feira, Junho 05, 2009

O SONHO QUE SONHEI



Adoro os 18 graus que faz na minha varanda nessa época do ano. Parece que comemos melhor, o frio convida ao bom vinho. Podemos nos vestir com mais elegância. Dá para jogar um casaco sobre o figurino alinhado. São dias da roupa de algodão encorpado e pesado, dias da roupa de lã, de blusão de tricô; são dias de cachecol, da touca e da luva.

Resisti até o meio da semana me cobrindo com um lençol, mas ontem tirei o edredom do armário. Eu juro que se pudesse não sairia da cama no dia seguinte. O prazer que sinto ao dormir debaixo do edredom, só com o narigão de fora, poderia ser eternizado.

Caminhando pelo meu condomínio pude ver as últimas flores das amendoeiras jogadas pelo chão. Elas formam um tapete sobre o gramado e as calçadas. São lindas! Claro que me senti bem ao vê-las, mas observe a foto que consegui produzir. Acho que essa é uma das dúvidas mais alegres que eu já vi - um ponto de interrogação para os que não veem o lado bom das coisas.

No último sábado ouvi de um amigo – que doce ironia aconteceu na vida de Susan Boyle ao ser derrotada no reality show Britain’s Got Talent. Você percebeu que a música que a consagrou, “I dreamed a dream”, conta a história de alguém que sonhou um sonho num tempo que se foi; que a vida havia matado o sonho que ela sonhou?

Acho que a minha tristeza começou ali, ao ver que “houve um tempo em que os homens eram bons. Houve um tempo... então tudo deu errado”. Extraí as amargas palavras da música de Os Miseráveis. Claro que Susan está com a vida feita. Entretanto, fico feliz por saber que o preconceito do mundo foi ao chão ao ouvir a bela voz daquela mulher nada bela.
A letra da música diz ainda: “Eu tive um sonho de como minha vida seria. Tão diferente deste inferno que estou vivendo. Tão diferente agora daquilo que parecia. Agora a vida matou o sonho que eu sonhei”. Pobre dos que sonham e que um dia perdem a esperança - pensei.

É triste a dor da derrota, a dor de não ter tentado, a dor de não conseguir chegar. É triste você viver uma vida inteira sendo selecionado para isso, para aquilo. Vivemos para competir. Entristece-me saber que você tem que ser sempre o melhor, ser sempre superior ao outro, para garantir uma colocação - a sobrevivência.

Meus dias seguiram solitários. Sempre que olho da janela, eu avisto a imensidão do mar. Dá-me arrepios quando penso na queda do voo 447. Imagino que os quatro minutos, que antecederam o impacto da aeronave na água, trouxeram o mais traumático dos pensamentos – a certeza da morte. Aliás, essa é uma das poucas certezas do ser humano. No entanto, ninguém sabe lidar com ela quando é anunciada.

Por eles eu rezei e fiquei dias de coração apertado. Sabe o quê concluo das fases não tão alegres da vida? Que precisamos de tão pouco para que sejamos felizes. Que exigimos demais das pessoas quando o que elas nos oferecem é o suficiente para dois. Que buscamos as melhores colocações na vida e isso não importa por cima de quem precisaremos passar. Qual é problema com o segundo lugar? Muitas vezes pensamos exclusivamente em si próprios e esquecemos de que no amanhã ninguém mais estará por aqui. Que tudo vira história contada em livros, ou recordações de quem um dia sentiu carinho por você.

Foto: arquivo pessoal

That's all folks!

posted by ZÉ | 12:50 AM | 40648115 | |


Domingo, Maio 31, 2009

TECLADO CONFIDENTE



Tem alguns dias que repaginei o Blog. Sempre fui um cara cheio de vontade de experimentar o novo, com vontade de provar e de aprender. Tenho um lado comodista também, daquele que não mexe em time que está ganhando – o da preguiça.

Pra você ter uma ideia tenho o hábito de abastecer o carro sempre no mesmo posto de gasolina, por exemplo. Nunca tive problemas com um posto BR que está próximo a mim, tão-pouco com meu carro por usar aquele combustível. Quando deixo de abastecer no BR é porque pretendo boicotar o governo pelo preço do aditivo.

Gosto de jantar em dois ou no máximo três restaurantes aqui na minha região. Vivo na Zona Oeste do Rio. Tava lendo que o meu bairro anda bem cotado, com novos restaurantes de excelente menu e uma ótima carta de vinhos. Preciso conferir. O bom dos meus lugares preferidos é que já conheço o cardápio e os garçons. Com essa onda de dieta, de comer com culpa, sei que lá encontro uma saladinha ceasar que é um barato – aliás de barato não tem nada, os pratos são caros mesmo. Mas, me agrada o serviço destes espaços e tenho a certeza de que sentar à mesa valerá cada vintém.

Dos meus médicos virei praticamente amigo. Sério! Chamo-os até para as minhas festas. Por que rodar consultórios se já elegi a melhor dermato? Minha cútis vai bem obrigado. Meu dentista virou amigo de tantos cafés. O clareamento da cafeína fica por conta dele. Do meu alergista sou fã, apesar dele não ter encontrado uma solução definitiva pra mim e nem mesmo para os outros pacientes portadores de alergias. Dizem que todo o tratamento é paliativo, além de todo mundo ser alérgico.

Acho que tô confundindo confidencialidade com fidelidade. Tinha me proposto discutir de que maneira me confidencio com o meu teclado, maior parceirão das coisas que penso. Vou concordar com um sujeito que um dia lançou a ideia de que eu estava fazendo auto-análise aqui no Blog. Beleza, até o ponto que me permito expor.

Bem... estava dizendo que além da minha fidelidade para aquilo que julgo que me faça bem, sou um cara que logo cansa da cara das coisas. Só não mudo os móveis da minha casa de lugar porque tudo foi feito sob medida, incluindo aí as paredes. Se eu empurrar o sofá um milímetro pra esquerda, ele fica em frente ao corredor de circulação; se eu tirar a mesa de jantar da posição atual ela atrapalha a passagem do hall; a minha cama ocupa o centro da suíte e com exatidão consigo me deslocar em torno dela. No meu banheiro entro de ré pra poder sair de frente! Tô falando com um certo exagero, mas isso só pra constar que essa ‘nova arquitetura’, que resolveu apertar tudo pra caber mais gente, é uma bosta.

Voltando a repaginação do Blog gostaria de registrar que há algum tempo abri um espaço pra publicidade do Google. Claro que foi iniciativa minha. Não vá pensando que alguém dessa respeitável e megamilionária empresa tenha me procurado. No entanto, se eu der sorte, daqui algum tempo acumulo um dinheirinho. Tô apostando. Dizem que a parada é séria. Também cadastrei o site no Google Analytics, pra acompanhar o tráfego nas páginas, e pra minha surpresa tenho uma média de 60 visitantes absolutos por mês e 415 exibições de conteúdo nos últimos 10 dias. Esse cálculo é valido para novos IPs que acessam a página. Interessante, não?

Confesso que fiquei surpreso com número de visitantes e o local de onde o Blog é acessado. Tive um acesso de New York e mais 18 da California. Imagino que sejam brasileiros ou algum amigo maluco que viajou pra terrinha do Tio Sam. Sou viciado em saber o que os leitores comentam sobre o que escrevo. Sempre que posso dou uma fuxicada, pra prontamente agradecer e, pra saber o que as pessoas pensam. Se elas concordam ou discordam com o que digo. Claro, nem todos publicam os seus comments, mas saiba que são bem vindos.

Sabe o quê concluo de toda essa ‘brincadeira’ que ficou séria e que me faz um bem enorme? Penso que se apenas uma pessoa se modificar com o que escrevo, leia-se: se se questionar sobre as questões da vida; se se tornar melhor; se alterar uma visão que talvez esteja equivocada; se se sentir bem espiritualmente; se se surpreender com as minhas loucuras, enfim... qualquer que seja a emoção que eu consiga despertar no outro - pra melhor -, já valeu todo o meu esforço. E isso é sério, um dia vou publicar um livro de crônicas, acho que meu ensaio tá se dando por aqui. Sou pretensioso, não?

Contudo, ‘amigo teclado’, obrigado por disponibilizar cada teclinha que forma uma palavrinha, que codifica um pensamento em bytes e que é propagado pra quem tiver vontade de conhecê-lo. E isso pode acontecer aqui do ladinho, lá da Califórnia, ou mesmo no infinito do cyber espaço.

Foto: arquivo pessoal

That's all folks!

posted by ZÉ | 1:32 AM | 40644433 | |


Copyright © 2009 | Biblioteca Nacional 017752-V01 | Todos os direitos reservados.