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Joseph Meyer
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Quinta-feira, Maio 28, 2009

A LENDA DO CAFÉ EM GRÃO



Hoje eu discutia sobre a questão do tempo - do tempo que nos pertence – ou da falta dele. Incrível como eu sinto o tempo escoar, se é que essa palavra traduz o que pretendo dizer. Tenho sentido falta de tempo para todas as coisas que desejo fazer e que não consigo.

Podemos pensar que o tempo é uma questão de prioridades. Reservamos o nosso tempo para as coisas que mais nos agradam e nessa ordem vamos deixando para depois, para amanhã, para algum dia, resolver o que nos interessa menos, ainda que não seja menos importante.

Sinto uma falta cronometrada para vencer a minha agenda do dia, no tempo; para arrumar a bagunça da minha estante. Não que eu não goste dos livros e dos CDs que tenho empilhado nela, mas, como tem portinhas, deixo toda a bagunça escondida. E meu roupeiro? Nem posso falar que no monte de camisetas, as mais debaixo cheiram a mofo.

- Levanto da cama e a segunda coisa que faço depois do sagrado café à mesa é ler os meus jornais. Leio o Globo e o jornal Extra; no domingo chega a revista Veja, a Monet, e a Bravo. Tenho um bocado de livros na biblioteca; minha videoteca já ultrapassa os oitocentos filmes e não tenho tempo para nada. Tô precisando descansar -, reclamou o meu querido amigo durante o almoço que nós tivemos juntos. Logo pensei... então, eu não sou o único!

Conheci pessoas que queriam funcionar como banco 30 horas. Meu Deus, pensei... 24 já tá de bom tamanho. Imagine um dia mais longo. Com certeza o nosso sistema se encarregaria de nos dar mais trabalho; iríamos mais aos shoppings; passaríamos mais tempo no trânsito; e, com certeza, eu dormiria 15 horas. Quero dizer que se eu pudesse dormiria a metade do dia como faço nos finais de semana. Fazer o quê se amo dormir?

Acho que o tempo é um assunto que dá o que pensar. À medida que escrevo fico imaginado o tempo que já vivi – as marcas do tempo. Eu até passei bem pelos 30 e continuei aparentando um pouquinho menos de idade. Beleza! Dou graças ao filtro solar e as horas bem dormidas. Logo chego aos 40. Se você quiser saber dos combatentes do radical livre, uma praga, é só me perguntar. Já fui apresentado aos tratamentos mais modernos do mercado.

Até aqui estou de pleno acordo com o meu tempo – das coisas bem ou mal vividas. Imagine agora as relações amorosas. Homens maduros preferem as mulheres jovens pelos seus corpinhos cheios de células novinhas, de pele firme e bundinha empinada. Mulheres de bundinha empinada preferem a conta bancária e o cartão de crédito, o carrão, e o bom papo dos homens mais maduros... claro!

E as mulheres maduras preferem o quê? Imagino que elas disputem o último romântico heterossexual da praça, isso quando não estão envolvidas com outras tarefas mais interessantes do que caçar homem. Elas é que estão com a razão até o ponto que achem que isso é normal. Normal é beijar na boca.

Bem... dei uma volta inteira para dizer que ando bastante sem tempo. Nem sei por que administro mal às 14 horas em que estou acordado. Contudo, se eu juntar trabalho, jantares, academia, internet e um pouco de lazer, daí fodeu... ou fodi alguém!

Devo estar em débito para um café com uns cinco amigos, pelo menos. Não é má vontade, muito pelo contrário, a culpa é da falta de tempo. Sou preguiçoso para dedéu quando penso em sair de casa. É uma verdadeira novela pegar o carro e andar, pelo menos 12 quilômetros, até o café mais próximo.

Fiz do meu cafofo um lugar super interessante para se viver. Quero registrar aqui que se você se sente meu amigo, se gosta de mim, se tem vontade de um abraço, de me olhar no olho; ou se tem vontade de um dedo de prosa, sinta-se muito bem-vindo.

Sabe o quê representa a foto acima? Um brinde ao bom café e as boas companhias. Já tem tempo que a tiramos, mas representa muito bem o que sinto quanto bebo um bom café com alguém especial. E olha que venho ensaiando alguns desses reencontros da vida.

Que tal um encontro para que ele não vire a lenda do café em grão?

Foto: arquivo pessoal

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posted by ZÉ | 12:00 AM | 40642082 | |


Domingo, Maio 24, 2009

REENCONTRO ENSAIADO



Nas últimas semanas tenho trocado os embalos de sábado à noite por noites bem dormidas. Imagino que para a maioria das pessoas o sábado é um dia nobre. Alguns não concebem a ideia de que um cara, com meu estado civil, não tenha feito uma bela festa nesse dia; que não tenha azarado uma nova gatinha que seria eleita a gata da semana, mas só da semana; que não tenha entornado todas as geladas para que naquele dia se sentisse ‘o cara’. Beleza! Já fiz tudo isso em outras épocas e concluo que foi bom, mas naquele tempo. Hoje, para mim, todos os dias da semana são nobres e não exclusivamente a noite de sábado.

Presumo que mudei os meus valores – e para melhor. Tenho acordado cedinho nas manhãs de domingo. Da minha varanda avisto o sol que nasce atrás da Pedra da Gávea. É um espetáculo! Tem dias que visto o meu tênis de corrida e percorro uns 10 quilômetros de orla marítima. É o máximo que meu condicionamento físico permite. Ou, como hoje, prefiro meu ‘teclado confidente’ pela manhã. À tarde vou conferir os ratos e as ratas da praia e todas aquelas belezas cariocas que estarão lá disponíveis para quem quiser ver e em qualquer dia da semana.

Tirei alguns dias de férias no Sul. Venho ensaiando um reencontro há mais de um ano que finalmente aconteceu.

- Quando olhei teus olhos e teu rosto mudado eu voltei dezesseis anos no tempo. Isso é um tempo considerável. As coisas se modificam a cada década. Deu saudades de uma época boa que se foi e que não volta mais. Pude me ver em você -. Disse ela, a moça da foto, depois de alguns dias do nosso encontro. Agora não temos mais pressa, engraçado. - Se ele me escrever daqui há anos, vou sentir as suas palavras como se tocassem o presente dos meus ouvidos -, acrescentou.

Penso que quanto mais o tempo passa, mais aprendemos a viver e, se sábios, menos ansiosos ficamos. Nas palavras da minha amiga eu pude perceber em mim que atingimos o topo do iceberg. A base nós construímos ao longo da vida. Claro que muita coisa se modificará com o tempo, somos flutuantes. Para mim, o que sentimos um pelo outro é completo e isso independe de como nossas vidas foram conduzidas e solidificadas em nossas individualidades.

Entretanto, entendo que para aquelas pessoas que eu me dediquei em algum momento da minha vida – os meus amigos e incluo aí alguns amores – ou para aqueles que fizeram a diferença para mim, a vida guarda esse tipo de reencontro.

Sabe por que o considero completo? Porque o reencontro pode ser bastante simples e nada complexo. Porque estamos ali apenas para conferir a vontade do outro em falar de si, de se expor, e para dizer que venceu ou que sucumbiu. Enquanto isso, o interlocutor vai montando a historinha e nós vamos percebendo se a sua vida foi mais ou menos colorida. E vamos admirando cada ponto final.

Encontrei depois de dezesseis anos a minha admirável amiga com uma família completa: gato, cachorro, papagaio, marido e duas filhinhas lourinhas de butucas azuis na cara, iguaiszinhas as da mãe. Encontrei uma família feliz.

Sabe do que me lembrei? Sempre que visito alguém numa ocasião especial, como um reencontro, a inauguração de um espaço, um aniversário, enfim... numa data especial, eu nunca chego de mãos abanando. Para essa amiga levei uns pratinhos de porcelana colorida que servem aquelas pastinhas de entrada.

Noutro dia fui à inauguração do apartamento de um amigo, aqui no Recreio, no Rio. Levei um jogo de toalhas imaginando que seria útil para um homem solteiro. Só fiquei um tanto constrangido na hora de entregar o presente, visto que tinha plateia. No entanto, tenho a certeza de que um gesto tão delicado, quando lembrado, remete a boas recordações.

Não posso deixar de registrar aqui que naquela noite gelada de maio fomos recebidos com o melhor do calor humano. Fomos recepcionados com a delicadeza dos melhores chefes de cozinha, com o mais saboroso queijo e a melhor garrafa de Concha Y Toro que eu bebi nos últimos anos. E olha... foram cinco garrafas de vinho para cinco pessoas. Pode calcular o estrago. Só me dei conta de que precisávamos ir embora quando meu cunhado me olhou e disse – acho que precisamos ir, já passam das duas da manhã. Do contrário eu ficaria ali, até o outro dia, contando as minhas histórias, ouvindo as histórias deles, e lembrando o que de bom a nossa geração Coca Cola viveu.

É sempre bom retornar e saber que você é querido. Foi um reencontro de almas.

Foto: arquivo de Cintia

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posted by ZÉ | 11:45 AM | 40639077 | |


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