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Segunda-feira, Maio 04, 2009
ARTIGO DE COLECIONADOR
Hoje, fui tomar o sol da tardinha na beira da praia. Incrível como o por-do-sol nessa cidade é lindo. Pisei na areia de pés descalços e entrei no mar com água até a canela. São dias de ressaca no Rio.
Dizem que a água salgada dá um belo descarrego na gente. É verdade. Consegui uma explicação cientifica: a alta concentração de iodo na água é um condutor pra que a energia não sadia saia do corpo. No entanto, tanta beleza natural não nos deixa indiferentes, nem mesmo o coração mais duro. Quando quero falar com Deus, ou pensar a vida, prefiro o mar a meus botões. Prefiro a praia a qualquer santuário.
Acho que os meus mais prazerosos passeios se dão no calçadão. Toda cidade tem um calçadão. Lembro que na cidade onde nasci o calçadão tinha uns trezentos metros, algumas lojas, um antigo cinema que acabou fechando, uns dois quiosques e apenas um café. Eita lugar medonho de feio.
O calçadão aqui no Rio se estende pela orla da praia. Temos aí uns 80 km de pista pra boa caminhada, pra corrida, pra bike, pro passeio. Não é à toa que a cidade é uma das mais belas do mundo.
Nessa época do ano pode-se tomar sol pra deixar a pele dourada. De quebra, a noite, pode-se dormir com um bom edredom. É quente no sol e frio na sombra e a noite. Sabe aquela época em que você precisa andar de casaco na mão? Pois é... é gelado o vento que bate na pele queimada do sol.
Das coisas boas da vida, além do passeio quase diário que faço na orla do Rio, com as paisagens mais exuberantes à vista, adoro colecionar um artigo – escovas de dente. Objetos de colecionador existem dos mais exóticos aos mais inimagináveis. Existem colecionadores de simples selos de cartas até os afortunados que colecionam Ferrari.
Lembro que conheci um colecionador de vinhos que tinha como adega um apartamento inteiro e climatizado. Acho que eu trabalharia a vida inteira e nunca juntaria aquela fortuna da coleção. Li que o ato de colecionar vem desde o homem primitivo que juntava pedrinhas. Mais adiante elas virariam instrumentos de caça.
Outro dia fui convidado pra ler os diários de uma querida amiga - quase o diário de Brid Jones. Como jornalista sugeri que os escritos virassem uma publicação. Nem perguntei o número de agendas da coleção, mas deduzi que, pela idade, deve chegar perto de vinte. Parece super bacana colecionar os registros da própria vida.
Ouvi de um amigo que conhece um sujeito que é amigo de um cara que tem um primo que coleciona pés de maconha. Tô falando sério. A rede social entre ele e eu é essa. Nem adianta me pressionar porque ouvi falar, ou seja, eu não conheço o cara. Só sei que ele é dono da maior rede de shoppings da América Latina. Claro que a serventia da coleção é pra consumo próprio. Ouvi também que o cara mantém uma sala climatizada e no centro uma enorme árvore da referida plantinha. Pode? Imagine a cena: você entra na sala do rapaz e é convidado pra conhecer a sua coleção – no caso uma plantação, um arbusto, um pé de mandioquinha, ou como queira carinhosamente chamá-la. Tudo isso dentro de um apartamento.
O ato de colecionar de fato é simbólico. De alguma maneira ele representa algo especial pro colecionador. Por trás dos simpáticos objetos estão os símbolos - os desejos. Fiquei pensando que quem coleciona carros antigos, por exemplo, tem a maior vontade de entrar neles pra viajar mundo afora. Quem coleciona relógios deve ter vontade de controlar o tempo o tempo todo. Quem coleciona discos ou CDs sabe que casou com mídias que logo entrarão em desuso, entretanto, são apaixonadíssimos pela boa música. Imagino que historiadores ou escritores colecionem livros, daí as imensas bibliotecas; a Biblioteca Nacional; os museus. Quem coleciona peças íntimas... nem vou explicar.
Tem quem colecione amores. Eu coleciono as escovas de dente e sou um homem feliz!
Foto: arquivo pessoal
That's all folks!
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ZÉ | 8:38 PM | 40625177
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