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Joseph Meyer
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Sexta-feira, Maio 01, 2009

UM LUGAR PRA SE VIVER



Tenho uma Tuia na minha varanda medindo uns dois metros e vinte, praticamente o pé-direito total daquele espaço. A Thuja occidentalis, ou Tuia, é uma planta conífera da família Cupressaceae do gênero Thuja. O bacana de ter essa planta é que ela quase não exige manutenção senão alguns litros de água por semana. Todo o ano, no Natal, eu a enfeito com luzinhas pisca-pisca que a deixam ainda mais bela. No último Natal eu não a enfeitei e só me dei conta quando faltavam poucos dias para uma viagem que faço todo o ano e na mesma época.

Hoje resolvi caminhar pelo meu condomínio e descobri espaços tão interessantes. Engraçado, eles não tinham chamado a minha atenção antes. Então, percebo que tudo já estava lá e era eu que não via.

Na minha rua contei umas sessenta amendoeiras. É uma árvore robusta com flores amarelas que enfeitam o chão nessa época do ano. Ainda não entendi se essa espécie é aquela que dá amêndoa, mas já vi vários saguis se deliciando com seus frutinhos. O espetáculo das amendoeiras é que por esses dias elas enfeitam o chão com flores amarelas que duram uns dois dias e vão se renovando sempre até a chegada dos dias mais frios. Parece um tapete amarelo. Não fosse a quantidade de carros estacionados debaixo delas, poderíamos curtir ainda mais a sua beleza.

Vejo da minha janela uma praça imensa e arborizada, com uma pista de corrida e alguns brinquedos para a criançada. Todas as manhãs têm um grupo de senhorinhas que fazem aula de Yoga. Pelas posições que elas fazem, daqui deduzo que seja Yoga.

Você observou a foto acima? Não sei como é o nome da planta retratada, mas nessa época do ano ela fica assim, toda colorida e florida. Não tem como passar por ela e não dar uma paradinha para apreciar. Fotografei as azuis, mas, mais adiante, têm as vermelhas e as amarelas.

Moro num condomínio, na cidade do Rio, onde muitos, incluindo eu, chamam de - o fim do mundo. Tenho o hábito de anunciar para os visitantes de primeira viagem que logo depois do muro do meu prédio existe um penhasco gigante. Lá termina o meu bairro. É a divisa do continente com o mar e um pouquinho além se chega ao final do mundo. Alguns até acreditam depois que digo que estou há 40 km de Copacabana – realmente é o final do mundo.

O grande barato dessa região, desconsiderando a distância quando a referência é a Zona Sul, é que logo ali tem uma imensa serra e em seus pés se estende o Oceano Atlântico. O mar tem beiradas rochosas e areias branquinhas. É o verdadeiro paraíso. Na maior parte do ano seus únicos habitantes são os surfistas de cabelos alourados com suas pranchas parafinadas. Na alta temporada há uma multidão. Sabe aqueles restaurantes que servem peixe fresco, pastel de camarão, moqueca, bobó, e uma infinidade de saborosos frutos do mar? Pois é... aqui têm vários. Tem o da tia Palmira, o Gepeto, o do Tio Zé, o Peixe Bom, o Peixe Fresco, o Siri na Casca, e por ai vai. Conheço quase todos.

E, de praias, se contar do meu condomínio para a esquerda, em 25 km chego à Pedra da Gávea. Tem mar de orla habitada, tirando uns 5 km de reserva preservada. É simplesmente deslumbrante a beleza do bairro. Se me deslocar para a direita, passo pela Praia da Macumba, Prainha, e Grumari. É área militar, portanto, preservada. Tô falando em Rio de Janeiro, um estado relativamente pequeno que abriga milhões de pessoas que resolveram se empilhar na Zona Sul. Para mim isso é ótimo!

Meu condomínio é fantástico. O projeto prevê mais ou menos 25 prédios de 23 andares. Quando ficar pronto imagino que será o desastre dos carros – pela quantidade; o desastre do saneamento - onde vai parar tanta merda? Contudo, o bacana daqui é que o gabarito do bairro admite prédios de 4 andares, e no meu condomínio prédios de 23. A vista do alto é lindíssima, claro. Imaginou o número de família? É uma média de 6 mil. Tô falando sério. Hoje tem 7 prédios prontos e vários stands de venda, que são dignos de um sheik árabe.

A noite tem feito um friozinho tão gostoso na minha varanda. À tardinha chega à hora mágica do meu chimarrão. Todo o dia, sento ali para pensar a vida. Pode ser por poucos minutos, mas tempo suficiente para repensar o meu dia e para agradecer pelas coisas que vivo.

Como sou cristão o meu Deus certamente é o mesmo que o teu, mas não me importaria de agradecer a Buda ou Ala pelas alegrias da vida.

Como disse: a beleza da vida sempre esteve aqui e eu é que não via. Senhor, obrigado pelos dias bem vividos!

Foto: arquivo pessoal

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posted by ZÉ | 12:22 PM | 40622950 | |


Domingo, Abril 26, 2009

SEGREDOS DE LIQUIDIFICADOR



Semana passada eu assisti a três simpáticos filmes que tratam sobre a busca incessante do amor - da felicidade conjugada: ‘Divã’ de José Alvarenga Jr., ‘Ele não está tão a fim de você - He's Just Not That Into You’ do diretor Ken Kwapis e ‘Eu te amo, cara’ com o ator Peter Klaven. Ambos os filmes falam da necessidade de encontrarmos a nossa cara metade, a nossa meia laranja, seja lá de que maneira for. Mostra também o grande esforço para se viver uma relação plena.

Pois é... como dizer que uma vida só é plena a dois? Em ‘Divã’, Mercedes, uma quarentona bem casada e aparentemente feliz, senta-se literalmente no divã para se conhecer. Ao longo da trama ela vai revelando a sua história. Mercedes é bárbara, é a personificação da vida da gente contada na tela grande. Quem um dia não se sentiu sozinho? Quem aos quarenta anos já não experimentou um casamento, uma vida a dois? Quem aos quarenta não se separou pelo menos umas dez vezes, seja de amigos ou namorados, seja de esposas e maridos, de amantes e amores?

Uma separação num primeiro momento é dolorosa, parece que o mundo desaba. No entanto, mais adiante, você percebe que a vida te fez um belo favor. As paixões têm ciclos curtos, com início, meio, e fim. Rompimentos, apesar de tristes, libertam o coração para os outros momentos bons que estavam querendo entrar na sua vida. Mas ficamos ali, aprisionados a momentos vencidos. Só Deus sabe quanto tempo será necessário para que algo, ou alguém, seja verdadeiramente "digerido".

No filme ‘Ele não está tão a fim de você’, as histórias que correm em paralelo ao drama de Gigi, são brilhantes. Lembra daquele conto em que João amava Maria, que amava Pedro, que amava Julia, que amava José, que não amava ninguém? Então... Gigi é uma dessas românticas incorrigíveis que só quer alguém para dividir suas alegrias e suas tristezas. Ela acaba se dando conta de que seu amor estava tão perto e que não adiantava buscá-lo longe... muito menos buscá-lo. Quando você entende que quando “ele não está tão a fim de você”, quase sempre, se você largar mão, as coisas podem mudar.

E os queridos amigos que, muitas vezes, atrapalham a relação? Conhece algum? Eles podem se manifestar como grandes conselheiros; como ombro amigo; com uma sutileza sem igual. Eu, particularmente, acredito que muitos de nossos amigos não façam esse movimento por maldade, mas ao mesmo tempo não te libertam para viver a vida. Amigos são fundamentais, entretanto, podem enterrar uma relação. Isso é muito comum, mas, se atentos, é facilmente corrigível.

Sydney Fife é o bizarro amigo de Peter, em ‘Eu te amo, cara’. Peter apenas procurava por um amigo, para ser seu padrinho de casamento, mas encontra uma bela e atrapalhada amizade. Sydney é o tipo de ‘mala sem alça’ que apesar de fofo e engraçado coloca em xeque o casamento de Peter. Mas, no final de tudo, entendemos que os amigos, se permitirmos, também casam conosco. E escolhem o mesmo dia, a mesma hora, o mesmo altar, o mesmo padre e a mesma mulher. Mas não precisamos levar um amigo para a nossa cama.
Em Divã, Mercedes precisou de três anos de terapia para conversar consigo mesma, para se entender na vida. Mas, chegou o dia em que ela deu alta para o seu analista. Mercedes viveu com toda a intensidade o seu casamento, a sua vida, a amizade com Mônica. Viveu suas alegrias, seus infortúnios, seus amores, e a desilusão com o marido. Contudo, Mercedes entendeu que a vida é como um mapa que se modifica a todo instante. Aquilo que ela procurava nunca estaria no mesmo lugar, no dia seguinte, no momento seguinte. De nada adianta voltarmos ao mesmo ponto para vivermos a mesma situação porque nada mais estará lá como antes, a não ser nós mesmos.

Vou contar um segredo de liquidificador: se você gosta de alguém, aprenda antes a decifrá-lo. Detalhe, geralmente, nós casamos com o pacote completo.

Foto: Gettyimages

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posted by ZÉ | 2:49 PM | 40618940 | |


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