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Quarta-feira, Abril 15, 2009
NÃO USAMOS BLACK TIE
Interessante o poder que o trabalho exerce sobre o homem, não? Cabeça vazia oficina do diabo! Eita dito sábio que, às vezes, relutamos em aceitar. A grande maioria é preguiçosa por natureza, incluindo aí esse Zé que tem nome de trabalhador, e excluindo alguns poucos. Para toda regra uma exceção. Entretanto, combinamos que o trabalho pode ser o uso da ferramenta mais simples que as mãos podem manusear, até o exercício da extrema intelectualidade mental. Então... salve o meu ofício, o nosso trabalho, e tudo o mais que pensamos em produzir na vida.
Ouvi a seguinte máxima outro dia: “Sábio é quem trabalha menos e ganha mais”. Beleza! Nem vou discordar. Imagino que, na melhor das hipóteses, o cara seja muito talentoso ou tenha estudado muito. Sorte a dele!
Já ouviu falar em Jorginho Guinle? O cara era muito mais famoso por nunca ter trabalhado na vida do que pela herança da mega fortuna da família Guinle. Morou boa parte da vida à custa do tio, Octávio Guinle, dono do Copacabana Palace, na cidade do Rio. Namorou atrizes famosíssimas, incluindo aí Marilyn Monroe e Marlene Dietrich. Pouca coisa, não? O cara morreu em 2004. Será que ele foi para o céu?
E Eike Batista, conhece? Lembra da Luma de Oliveira? Então... ex-mulher do mega milionário brasileiro. Dizem que esse trabalha com a alma. É dono de dezenas de empresas. Eike ocupa a 61º posição de homem mais rico do mundo. Segundo a Forbes, a fortuna do cavalheiro é estimada em 7,5 bilhões de dólares no ano de 2009. Parece que o cálculo considera a questão da queda da bolsa americana. Para cada 10 reais que eu perdi ele deve ter perdido em torno de um milhão. Pode acreditar, o cara é mega rico!
Voltamos a falar de trabalho, ok? Noite de terça, holofotes à parte, aportei meu pequeno barquinho no Vivo Rio. Não fui sozinho, claro. Fui acompanhado de uma linda garota, um grande parceiro com indicação ao prêmio da noite, e a alma do Guinle. Todos a rigor, vestindo Black Tie. Precisei improvisar por detestar a borboleta. Coloquei o meu Bvulgari, tirei o mofo do traje e do pisante, e aproveitei. Aliás, aproveitamos. O combinado foi que se a noite tivesse chata a gente se esbaldaria com a Veuve Clicquot Ponsardin Champagne.
Outro dia pensava sobre a vida e confesso que estava meio chateado. Não tava me dando conta do belo momento profissional em que vivo. Alguém me alertou – você percebe a vida que tem?
Enfim... fomos parar no Grande Prêmio Vivo do Cinema Brasileiro. O homenageado da noite foi Nelson Pereira dos Santos, um dos mais importantes cineastas do país. Fiquei constrangido por ter assistido a quase todos os filmes indicados ao Oscar Americano e nem metade dos filmes do cinema nacional. Não vi Estômago, do diretor Marcos Jorge, o grande vencedor da noite. Dos filmes daqui só pude assistir a ‘Ensaios Sobre a Cegueira’ e ‘Meu Nome Não É Johnny’. Dos de fora pude ver ‘Onde os Francos Não têm Vez’ e ‘Vicky Cristina Barcelona’. Ou seja, foi mal.
Preste atenção nesses nomes: Marisa Monte, de quem sou fã incondicional; Roberto de Farias presidente da Academia Brasileira de Cinema; Daniel Filho e Marília Pêra, João Jardim, Lucy Barreto; Selton Melo, Ary Fontoura, Julia Lemerts, Cláudia Abreu. Estavam todos ali, indicados, premiados, realizados, eternizados, e sentados ao lado do Zé.
Já ouviu falar em metrossexual? Trata-se de um cara com um grande dote, nem tão dotado, mas muito, muito vaidoso. Ele facilmente é confundido com um gay. Chiquinho Scarpa se dizia metrossexual até que sua ex-mulher o flagrou na cama com um ou dois rapazes. Numa pesquisa rápida sobre metrossexuais famosos descobri David Beckham, Calvin Klein e Ricky Martin. Acho que confere, não?
Outro dia discutia com um amigo sobre como pode o mesmo homem pegar tantas atrizes. Parece que o cara vira a bola de vez e passa de mão em mãos de mulheres belíssimas e riquíssimas e "globalíssimas". Nem lembro o nome desses sujeitos, mas devem ter fama também pelo dote. Ou são frequentadores assíduos das super festas oferecidas por esse povo. Das atrizes que já pegaram o mesmo homem consigo lembrar-me da Carolina Ferraz, da Adriane Galisteu, da apresentadora Eliana. Ah... lembrei-me que Alexandre Acioli já pegou todas as ex-mulheres do Murilo Benício. No nosso reinado também tem disso!
Novidade? Nenhuma. O mundo do cinema é um barato. Os caras trabalham, muitas vezes, por anos para que um projeto chegue à tela grande. Falta recurso, falta fomento, falta dinheiro e blabla, mas sobra criatividade. O mundo do glamour todo mundo conhece, se não experimentou pelo menos já ouviu falar ou viu na televisão. Na festa de ontem não encontrei nenhum dos indicados da minha lista acima – dos que passam de mão em mãos. O pessoal do cinema não se mistura com qualquer tribo, mesmo que afortunada. Eles vivem no barato, nos holofotes, na paz e no trabalho. E são craques em eternizar suas obras para sempre! Ah... e se recusam vestir Black Tie.
Fotos: arquivo pessoal
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ZÉ | 12:01 PM | 40610738
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Segunda-feira, Abril 13, 2009
TEMPO DO TEMPO
Semana passada tive o privilégio de ter sido convidado pro lançamento do cd 'Tempo do Tempo', de Dezo Mota. É o primeiro trabalho profissional do cara. Lembro vagamente de um cd onde ele cantarolou Caetano, vestindo calças coloridas. O próprio estava numa das apresentações. Fiquei super impressionado com o espetáculo que Dezo armou. Só posso desejar sucesso e mais sucesso.
Teatro das Artes, 9 da noite, lotação esgotada. Estreia pede imprensa, artistas, celebridades. Pede crítica, jornalistas e burburinho em torno de alguma obra, de algum artista. Enfim... tudo montado pro que assistiríamos. Todos estavam lá. Pontualmente, entra a orquestra de onze músicos: piano, três violinos, violoncelo, teclado, trombone, viola, trompete, guitarra, baixo, sax, e dois vocais. Ou seja, um luxo. Tudo nos conformes.
Conheci Dezo por outro nome em outros carnavais. Tive o prazer de trabalhar com ele num projeto, mas de maneira indireta. Ele estava na produção geral e eu fazia parte de uma célula que viajou o país. Lembro de um telefonema que fiz pra reclamar das coisas que não aconteciam. Justo telefonema que no momento nos aproximou.
Agora que me dei conta de que repeti seu disco a tarde inteira. Já sei quase todas as letras das músicas de cor e salteado. Parece boa, não?
A obra de Dezo Mota tem grande influência da música de Cazuza e Caetano. Lembrou-me por várias vezes o Nei, apesar dele não ter citado no release. Depois vamos percebendo que ele é uma mistura jovem de grandes nomes como Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Luiz Gonzaga e Maysa. Adoro seus figurinos p&b; seus braços fortes, brancos e enfeitados; sua dança masculina e trejeitada; seu estilo de estrela e seu santo. Sim... ele tem um santo.
Não tô aqui pra fazer crítica do disco, nem teria competência, a não ser pra dizer que a obra de Dezo é muito bacana. Parece que o cara compôs pra mim, canta pra mim. Se é que ele passou na própria vida o que escreveu nas suas músicas, benza Deus, somos dois sortudos e azarados ao mesmo tempo. Não sou o único. Somos dois apaixonados pela vida e por nossos amores. Acho que a maior sorte que ele teve até aqui foi à filhinha que desfilava barulhenta pelo teatro, gritando – papai!
Fiquei me perguntando... nossa, o cara ta pronto pra estrear? Será que ao vivo ele alcança um solfejo ou uma nota mais alta? Beleza! Dezo é afinado, belo compositor e na sorte um futuro grande músico. Particularmente, boa parte do show não me agradou. Não me agradou ver na voz dele composições eternizadas por Cássia Eller e Adriana Calcanhoto. Não num show de lançamento de disco. Sabe por quê? A obra dele por si só já basta. A participação da Vanessa Gerbelli é um erro que só. Se o repertório é de música brasileira o quê ela fazia lá?
Depois pensei... nossa, grande preconceito da minha parte, me refiro a Dezo, mas em parte. Lembrei de Cazuza, de Raul Seixas, da Legião. Esses caras simplesmente não cantavam nada. Não tinham voz, mas tinham muita música. Enfim... eram estilosos, tinham presença no palco. Interpretavam bem e cantavam mal.
Dezo além de um puta profissional ta muito bem amparado. Já vi cantores consagrados com a metade daquele aparato. O cara mandou muito bem. Fiquei feliz por ter sido convidado. No dia seguinte recebi um torpedinho de resposta dizendo - que pena que não te vi no final.
Força aí rapaz. Muita merda como dizemos no teatro. Não lembro o que os músicos dizem. Que teus santos te abençoem. Que tua música toque o coração de multidões. E, continue compondo pra mim, mesmo sem pretender, vou adorar.
Tempo do Tempo – tem música e voz de Dezo Mota. Já deve ta chegando às lojas. Os próximos shows são em Brasília e Salvador. O MySpace dele está abaixo. Evoé!
http://www.myspace.com/dezomota
Fotos: Paula Kossatz
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ZÉ | 9:54 AM | 40608843
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