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Joseph Meyer
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Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

BOTÃO REWIND



Você já ouviu falar no Efeito Borboleta do matemático norte-americano Edward Lorenz? Ele consiste na representação gráfica do bater das asas de uma borboleta. Este termo refere-se às condições iniciais, de qualquer movimento dentro de um sistema, da Teoria do Caos. É como se uma simples borboleta batesse suas asas numa ilha distante e, do outro lado do mundo, dentro de algumas semanas, sentiríamos o seu efeito – como um tufão, por exemplo. A relação proposta é de causa e efeito. Lorenz mostrou, através de um cálculo, que é possível prever os resultados dos sistemas lineares, mas os resultados são sempre imprecisos nos sistemas não-lineares.

A equação de Edward pode ser aplicada em qualquer área da ciência, seja ela exata, médica, biológica ou humana. Inclui-se aí a psicologia e o pensamento. Ou seja, para a teoria, tudo o que fizermos hoje, dentro de um determinado período de tempo, considerando as variáveis, sentiremos os efeitos e resultados no futuro. Se toda a ação causa determinado movimento e obtém um determinado resultado, sua reação, que é imprevisível, pode modificá-lo instantaneamente. Então, quando tomamos uma decisão mínima, mas espontânea, podemos produzir resultados inesperados num futuro incerto.

Ontem, estava saindo atrasado para o encontro com uma amiga quando o telefone tocou. O problema é que eu estava do lado de fora do meu apartamento e tinha resolvido trancar a porta com a Dobermann. Aquela chave com quatro dentes que impede que qualquer um adentre a intimidade da sua casa sem ter sido convidado. Que sensação de insegurança que sinto. Mas, precisava decidir se destravava tudo novamente, para atender ao telefone, ou se seguia meu destino sem atendê-lo.

Se tivesse decidido seguir, teria ficado a noite de sábado sem o esperado encontro. Claro, para isso inventaram o celular. Óbvio que tenho um, mas tô tentando exemplificar a Lei de Causa e Efeito sobre a minha escolha. Só eu sei o número de telefonemas que resolvi não atender. Só Deus sabe o que realmente perdi. Mas, eu atendi e, fui surpreendido com o cancelamento do encontro. Também é obvio que eu não perderia uma noite de sábado, em função de uma simples negativa. Encontrei um desses bares super bacanas onde você vê gente interessante, ouve-se a boa música do DJ renomado, bebe-se um drinque e de quebra dá para dançar um pouco.

Você observou a foto? Viu o número de controles remotos que tenho sobre a mesinha de centro? Acho que esse tipo de controle é uma das melhores invenções do homem. Parece que o primeiro surgiu nos anos 50, para controlar uma televisão. Uma das teclas de acesso chama REW - rewind, que deu origem ao título do meu texto. O botão tem como função retroceder, fazer o filme voltar. O pequeno aparelho, que geralmente opera por infravermelho, mas também por sinais de rádio, é capaz de me deixar sentado no sofá controlando quase todos os eletrodomésticos da casa. Da temperatura do ar-condicionado, até a próxima faixa do meu play list no media player. Com ele posso pausar, avançar ou retroceder uma imagem, um som. É impensável viver sem ele.

De fato consigo controlar quase todos os sistemas lineares do meu confortável lar doce lar, meu cantinho, meu cafofo. Até aqui tudo bem. Esses sistemas, de tão modernos, raramente produzem "ruídos"; seus resultados são bastante precisos; o meio leva ao fim desejado. Mas e aquilo que não conseguimos controlar? Quem sabe um dia alguém sofistique o controle remoto para que possamos controlar mais, com o menor esforço, e ainda mais distantes.

Você deve ter assistido ao filme de Eric Bress e J. Mackye Gruber, chamado de The Butterfly Effect. O personagem de Ashton Kutcher, Evan Treborn, tem o poder de voltar ao passado. Sempre que modifica uma ação todo o futuro das pessoas envolvidas é alterado, incluindo o seu. É claro que o mocinho volta várias vezes no tempo, a fim de escolher o final mais feliz para si e para a mocinha que ele tanto ama. O filme é genial.

Eu, se na noite de ontem tivesse escolhido não atender ao telefone, agora estaria morrendo de dor de cotovelo por ter sido abandonado em plena noite de sábado. Ah... se eu pudesse me materializar no passado, quanta coisa modificaria. Faria tudo diferente; com certeza acertaria mais. No entanto, você consegue se ver no futuro? É muito fácil porque ele é apenas uma projeção dos seus pensamentos. Tem teorias que afirmam que o futuro é agora. Que o futuro é completamente equalizável e que está acontecendo nesse instante em outro espaço de tempo. Temos o poder da escolha, ficando tão somente ao acaso da reação do outro, e suas consequências.

Bem... se podemos escolher melhorar o nosso futuro e o futuro do outro, sem causar danos ao Universo, porque insistimos em nossos erros? Por que repetimos fórmulas tão bem calculadas que deixam prejuízos para si e para o outro?

Para constar, vou citar a fórmula matemática de Lorenz que diz:

Um sistema dinâmico evoluindo a partir de ft indica uma dependência estreita entre as condições finais em relação às iniciais. Se for arbitrariamente separado um ponto a partir do aumento de t, sendo um ponto qualquer M aquele que indica o estado de ft , este mostra uma sensível dependência das circunstâncias finais a partir das iniciais. Portanto, havendo assim no início d>0 para cada ponto x em M, onde na vizinhança de N que contém x exista um ponto y e um tempo τ temos:



Você já se deu conta de que temos o poder de modificar o amanhã em função das nossas escolhas e nossas ações? Das pequenas decisões que podemos inserir na fórmula acima? Pra que lado as asinhas da sua borboleta baterão hoje?

Foto: arquivo pessoal

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posted by ZÉ | 12:00 AM | 40570843 | |


Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

LIGA DA JUSTIÇA



Lembra-se da sala da Liga da Justiça e de seus membros? Bem... você precisa ter, pelo menos, uns 30 anos. Eram eles: Superman, Mulher-Maravilha, Aquaman, Batman e Robin. Mais adiante, o quinteto ganha reforço com a chegada dos Super-Gêmeos, The Flash, Vulcão Negro, Homem Águia e Mulher Águia, Átomo e Arqueiro Verde. O propósito desses heróis era combater a injustiça. Para isso, eles dispunham de uma super sala onde se reuniam para montar estratégias de combate ao crime. A história em quadrinhos foi criada pela DC Comics. Mais tarde, a Warner Bros transforma o desenho em versão animada.

Todos usavam seus super poderes para servir a humanidade. O Homem de aço era veloz e tinha visão de raios-X. A Mulher-Maravilha usava braceletes que desviavam as balas e um laço que prendia o bandido obrigando-o a dizer a verdade; além do avião invisível guiado por telepatia. O Aquaman respirava embaixo da água e se comunicava com os animais marinhos por telepatia, para quem pedia ajuda. Já o Batman concentrava seus poderes no cinturão que usava e Robin era seu fiel aprendiz.

Você já leu algo sobre O Mito do Super-Homem? Existe uma teoria interessantíssima a respeito. O teórico Umberto Eco faz uma crítica ao super-herói dizendo que ele é a personificação estereotipada do poderio americano. "Nosso herói salva velinhas de ladrões; impede assaltos a bancos milionários; desmonta quadrilhas, mas não ajuda os miseráveis que vivem na rua; não acaba com guerras por petróleo; não elimina o trabalho escravo". Mas, quem nunca desejou ser o pateta do Clark Kent que, além de virar um super-homem imbatível, pega a mocinha Louis e ainda voa? Qual garota daquela época não desejou os musculosos braços do nosso herói?

Bom... eu poderia citar aqui um pouco de linguística, de semiologia; dos símbolos que todos esses personagens representam para o consciente coletivo. Mas, prefiro ficar com o desenho animado e com o que de mais inocente ele despertou em mim.

Fiquei pensando nos heróis da minha vida real. Alguns ganharam esse título por merecimento e outros por insistência. Meu pai, que é meu oposto, eu considero um herói. Salvou-me várias vezes dos monstros que surgiram na minha vida. Salvou-me de abelhas gigantes e ferozes; ensinou-me a lutar, a me defender, e a fugir quando necessário. Minha mãe é tão heroína quanto a Mulher-Maravilha. Pilota diariamente uma nave invisível chamada de lar. Todo o esforço, feito para manter a aeronave planando, quase nunca era percebido. Eu via a louça lavada, a casa perfumada, e a comida na mesa. Meu irmão era meu Super-Gêmeo, passamos uma infância inteira tentando ativar uma motocicleta sem motor; acionando nossos anéis para que o nosso autorama nunca deixasse de funcionar; e brigando!

Ainda tive e tenho, em tempo presente, outros heróis, os que insistem em me acompanhar; os que não desistem fácil. Estes são extremamente generosos e humanos e fazem de mim um super homem.

Você percebe que vivemos por muito tempo no mundo das nossas fantasias? Nem precisa ser criança para isso. O que acontece é que temos a capacidade de fantasiar os movimentos para que eles nos pareçam mais animados e leves, menos difíceis e dolorosos. Desenhamos os nossos desejos de uma forma que tudo seja mais facilmente aceito, ainda que eles não sejam legítimos.

Hoje, meu maior herói é esse que vos escreve. Mas, não cheguei até aqui sozinho. Vários outros personagens se inseriram na minha história. Alguns foram convidados e outros a invadiram. Meus heróis são diferentes. Para eles, sou eu quem determina a quantidade de poderes e como esse poder será usado sobre mim. Dou todas as armas solicitadas: capas, braceletes, naves invisíveis, mas limito seus poderes conforme me convém e os tiro sempre que necessário. E diga-se, preciso muito de cada um desses heróis, reais ou os que invento.

Acho que a paixão é o sentimento campeão do mundo do que não é real. É raro dois seres apaixonados emitirem exatamente a mesma frequência. Geralmente, um deles está apenas imaginando, inventando, desejando, e insiste em permanecer na fantasia. Este pode ficar por muito tempo aprisionado na “sala da injustiça”, montando as mais complexas estratégias de sobrevivência e aprisionamento. Mas, no fundo, vai perceber que o esforço foi em vão e que o herói mais importante estava dentro de si mesmo!



Ilustrações: imagens.Google

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posted by ZÉ | 12:00 AM | 40569142 | |


Domingo, Fevereiro 15, 2009

UM CARA QUE ERA SÓ UM ZÉ

Hoje é terça de Carnaval. É a terça gorda do último dia de festa. Interessante é que já estamos vivendo ele desde a última sexta-feira. É festa dos blocos de rua, é festa de salão de todos os gêneros; é festa na avenida, na Sapucaí, na minha casa; além da festa na casa do Zé. Amanhã é quarta-feira de cinzas, dia de se enterrar os ossos do almoço que sobrou desses quatro dias. É dia de lembrar a imortalidade da nossa alma. Dia de lembrar o quão frágil é nossa vida e o quanto mortais somos. É dia da transição que faz o ano começar. Precisamos avisar aos baianos que, definitivamente, a festa acabou.

Das coisas boas que vivi nesses últimos dias, uma me chamou à atenção e é o que pretendo destacar aqui – um freezer de picolé. Não um freezer qualquer, este compunha um cenário sem igual. Dentro do respeitadíssimo camarote da Brahma, não do Deus da cultura Hindu, mas da loura gelada que se instalou na Sapucaí – da cerveja e do chope.

No carnaval me visto com o espírito da alegria. De fato consigo esquecer-me dos problemas, deixo todos para serem resolvidos a partir de quinta. Mas não sou o único não, quase todo mundo age assim, incluindo ai o mercado de ações e negócios. Nessa época, me permito brincar feito uma criança. Achei super bacana passar o carnaval ao lado dos amigos, ao lado de gente bacana... alguns Zés furões, mas muitos abonados também: teve Ronaldo o fenômeno, Rodrigo o Santoro, Grazi a Massafera, a Sheila do Tchan, o ator Kevin Spacey, o internacional Matthew McConaughey, o Zeca Pagodinho com sua bolsa de geladas à tira-colo; teve o Camargo e o Zé que vos escreve também. Todos ali, no mesmo camarote que eu.

De tudo que observei nesses dias, preciso voltar primeiro a uma lembrança da infância. Mais precisamente do meu encanto ao ver um freezer de picolé. Hoje eu posso comprar todos os picolés que a minha vontade desejar, incluindo os freezers. Claro que não faço isso porque vivo de dieta. Sou super natureba, meu único erro até então é a cerveja. E veja onde fui parar... no paraíso delas! Mas quando criança eu não podia comprar um picolé com facilidade. Sonhava que se o mundo acabasse eu correria para o mercadinho mais próximo e assaltaria o freezer da Kibon, da Gelato, da Nestlé.

Mas, no tal evento, com barba na cara e homem feito que sou eu assaltei o freezer de picolés. Fiz isso de forma explícita. Comi pelos menos uns cinco sabores, um depois do outro, todos com leite porque nunca gostei dos de frutas. Eles me enchiam os olhos e a boca. Estavam todos disponíveis para quem quisesse comê-los, sem limite e de graça. A Nestlé era uma das ditas patrocinadoras, para o azar das gordinhas e para minha sorte!

No segundo dia de desfile, consegui chegar bem tarde na avenida. Só mudou o nome do camarote, mas a avenida era a mesma e ainda mais bela que no dia anterior. Era o dia das escolas de nome, das atrizes da televisão. Era o dia da Luma de Oliveira. Nem precisava chegar antes porque o desfile, que é bom de ver, eu não vi quase nada. Camarote também tem disso. Aliás, toda área, ainda que Vip, tem o lugarzinho da frente guardado por quem conseguiu fincar o pé no chão e não arreda dali. Tem como garantia a melhor visibilidade. Mas passa calor, não come e não bebe. Vou competir com ele para quê? Como se diz: cada um no seu quadrado. Eu fiquei mais preocupado com que o chope e os picolés acabassem. Você acredita que o freezer ficou lotadinho durante todo o desfile? Imagino que alguém estava repondo, a todo o momento, porque eu não poderia ser o único apaixonado por um picolé de chocolate.

Pensei em quantos Zés, além de mim, estavam ali. Não que vamos somente de carona ou que não existam Zés com autonomia, daqueles autênticos. Mas, geralmente Zé é nome de trabalhador. Além do Zé Carioca, do Zé Colméia, e do Zé Buscapé, existem os Zés de plantão. Eu era o Zé de meio expediente. Também tinha o Zé que repunha o picolé, o Zé do chope; o Zé carnavalesco, o Zé do samba; o Zeca do jornalismo, o Zeca do pagodinho, e a dona Zezé. E ainda tinha muitos outros Zés Manés, nesse delicioso ziriguidum, incluindo eu – um cara que era só um Zé.

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posted by ZÉ | 8:40 AM | 40566927 | |


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