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Joseph Meyer
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Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

GENTILEZA GERA GENTILEZA



Você conhece uma figura muito popular, aqui do Rio de Janeiro, chamada carinhosamente por Gentileza? O nome do sujeito é José Datrino, natural de Cafelândia, do estado de São Paulo. É também conhecido como Profeta Gentileza, ou José Agradecido. Faleceu, aos 79 anos, em 29 de maio de 1996.

Sua missão inicial foi levar palavras de conforto às famílias das vítimas do incêndio do Gran Circus Norte Americano, instalado na cidade de Niterói. A partir dos anos 80, o profeta passou a pintar suas palavras de paz, nas colunas sob o viaduto do Caju, no centro do Rio.

Suas inscrições, em verde e amarelo, sugeriam que a comunidade passasse a praticar a gentileza. Seus dizeres propunham uma crítica do mundo e sua vontade de mudança.

Conheci o Profeta Gentileza na voz de Marisa Monte, na música Gentileza. Diga-se, uma ode ao profeta e à gentileza. José foi homenageado na música, no teatro, por Marisa, por Gonzaguinha. José ganhou uma ONG em Mirandópolis. Li que o profeta será representado por Paulo José em Caminhos das Índias, uma novela brasileira. Justamente merecido!

Você já deve ter ouvido a célebre frase "Gentileza gera gentileza". Esse gesto tão nobre, cada vez mais raro, não é novidade para ninguém. Mas esperar a gentileza do outro ficou cada vez mais difícil. Tenho um pensamento, que parece tão batido, mas que é sempre bom lembrar - o poder da atração. Recordo-me de algumas sentenças poderosas como: violência atrai violência; miséria traz pobreza; medo dá má sorte; espelhos atraem raios em dias de chuva; falta de grana atrai dívida; lixo atrai ratos e odores atraem moscas. Mas, alegria atrai amigos; dinheiro atrai bem estar e status; sol faz nascer à vida; luz estimula a clorofila nas plantas; sorrisos atraem simpatia; conhecimento atrai sabedoria; e amor atrai o amor. Invista no lado bom do poder da atração, que parece valer à pena.

Você conhece uma placa de transito, representada por um triângulo de cabeça para baixo, que indica preferência? Sabe que fico impressionado pelo fato da maioria dos motoristas ignorarem essa regra? Parece que boa parte deles não sabe que a vez é de quem primeiro acessa a rótula.

Outro dia eu descia pelo elevador do meu prédio e um casal entrou depois de mim. A simpática senhora perguntou – ta descendo filho? – O marido, todo agitado, foi entrando e carregando junto à senhorinha. Não bastasse, ele pede para que ela aperte o botão do subsolo, uma vez que a luz indicava que eu desceria no térreo. A simpática senhora pronunciou – Lembrei que esqueci algo no apartamento, teremos que voltar, mas só acionarei o botão depois de me certificar que ele primeiro descerá até o térreo, pois o jovem rapaz entrou nele primeiro; ou seja... tive todas as preferências.

O que me chamou atenção no episódio acima foi a gentileza e a generosidade por parte da senhora. Eles já tinham certa idade. Provavelmente o marido nunca tenha percebido a generosidade da companheira. Também me chamou atenção o fato dele não ter aprendido através do exemplo da adorável companheira.

Você deve lembrar-se das pessoas abusadas que cruzaram o seu caminho. Aquelas que faltam com a gentileza sempre. Aquelas que só pensam em si e querem, além de ter o primeiro lugar, levar vantagens em tudo. Tem pessoas que se acham o centro do universo e só tem olhos para o seu umbigo. Mas, aprendi que esses são os indivíduos que mais sofrem.

Já estive envolvido em trabalhos, cujos colegas eram extremamente vaidosos. Daqueles que corriam para fazer o check in primeiro, como se o avião fosse partir sem eles. Tinha aqueles que corriam para recepção do hotel, como se o quarto reservado pudesse ser invadido pelo outro. Tinha também gente que corria para mesa do almoço e se atira sobre os pratos, como se eles fossem acabar. Mas, nessa vida, tem aqueles que definitivamente nunca abrirão a porta para você. E olha, tô falando de trabalho coletivo. Ainda tem aqueles que não sabem o que é gentileza e tão pouco conhece as palavras do profeta.

That's all folks!

posted by ZÉ | 12:01 PM | 40564557 | |


Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

TRABALHANDO A.I.



Nasci numa cidade industrial e lá a tensão da rede elétrica é de 220 v. Geralmente é essa a voltagem da zona rural. Na verdade, minha cidade natal é um pólo calçadista. Ou melhor, foi antes da abertura de mercados entre China e Brasil. Com a queda da bolsa então? Deve ter afundado metade da cidade. Meu pai, que antes era um empresário, hoje ta enquadrado como artesão. Sim, para se fazer um par de sapatos só se você for um artista e dos bons.

Lembro tão bem do apito das fábricas do meu bairro. Pontualmente, às 7 horas, ele tocava. Marcando 11 e 30 da manhã, anunciava que o funcionário deveria se dirigir ao refeitório. Exatamente às 13 horas, já deveria estar na frente da esteira de produção. Batia 17 e 17 via-se a multidão pelas ruas, louca para chegar em casa; louca para tomar um banho e jantar religiosamente às 7 da noite; nem tão louca para sair da cama, no dia seguinte, para repetir tudo de novo.

Hoje tive que levantar cedinho, já batia 8 horas e Conceição já fazia barulho na minha cozinha. Conceição é a minha mais nova aquisição. Ela não me pertence, claro, mas trocamos serviços por certa quantia de dinheiro e muitos agrados. É assim a nossa relação!

Sempre resisti à possibilidade de alguém mexer nas minhas coisas. Gosto de tudo no seu devido lugar. Acho sacal procurar algo que você tinha certeza ter deixado em determinado lugar. Mas, também acho estranho quando as coisas estão sempre dependendo exclusivamente de você.

Conceição é a criatura mais doce que já conheci. Toda delicada ela vai de um canto ao outro da casa resmungando – ai, como tem pó aqui. Incrível o que o tempo faz com os objetos. Deixa-os velhos e empoeirados. E a maresia então? Deixa tudo mofo. Morar em cidade de praia é lindo, ainda mais no Rio de Janeiro e de frente para o mar. Mas quando abro a porta de um armário ou encosto numa cortina, quase desfaleço pela alergia.

Você percebe que a casa tem um ciclo de limpeza? O da minha é terrível, quando acabamos o último cômodo já está na hora de começar o primeiro de novo. Mas damos conta... eu e Conceição. Deixo a limpeza geral para ela, ficando com a roupa e a comida. Ta dando certo. Sou um novo homem desde que essa mulher entrou para a minha vida... vou negar o divórcio sempre!

Tô adorando fazer A.I. (Assessoria de Imprensa). Na época da faculdade, achava bacana o colega que se interessava pela editoria de política; outros se identificavam mais com esporte; alguns tinham afinidade com o caderno de cultura; e outros com polícia. Eu sempre gostei de economia e informática, apesar do meu projeto monográfico ter sido em cultura. Fiz uma bela pesquisa da percepção da imprensa sobre uma peça de teatro e como ela produzia e publicava os textos. O esforço me valeu a nota máxima e muitos elogios.

Nunca me interessei pela tragédia do outro. Não que o jornalismo seja unicamente trágico. Propagar o absurdo, o inesperado, o terrível, o anti-social, com certeza vende jornal. Essa prática é tão antiga quanto o próprio folhetim. A função do jornalismo é muito mais uma prestação de serviços à sociedade e a denúncia é seu maior aliado. Mas, na comunicação tudo se torna questionável e o meio é repleto de interesses particulares.

Claro, seria excelente publicar uma matéria sobre economia. Imagina o teu nome na Folha de São Paulo? Imagina o salário então? Poder embolsar no final do mês uma boa grana, é espetacular, mas por hora não me vejo capacitado para tanto. Então... sobraram-me as matérias leves! Sem desmerecê-las, caminhamos bem, eu, Conceição, e meu escritório de A.I., que montei em casa.

Assessoria de Imprensa é um do trabalho tão honesto e necessário quanto qualquer outro da comunicação. Às vezes, ele parece sobreviver da futilidade, mas, não é bem assim. Assessoria é mercado; é sistema de capital; é sistema de defesa; é aparecer bem na fita. Se personalidades ou empresas, ambas precisam se comunicar, e diga-se, muito bem!

Acho que o grande barato desse trabalho é o acesso aos grandes eventos e as várias portinhas que ficam abertas para você. Já vi gente desesperada para conseguir a abada que para mim vem pelo trabalho; vem pelo correio; vem pelo e-mail. Já viajei mundo afora por conta dos serviços que presto. Já conheci muita gente bacana e muita gente inútil também. Faz parte!

É bom viver em cidade litorânea. Aqui você vive mais relaxado. Pode, no finalzinho do dia, dar uma caminhada no calçadão. Se bobear, dá para tomar um coco e ainda mergulhar no meio do dia. Aqui não tem apito de fábrica. Aqui se dorme tarde porque se levanta tarde. Aqui se trabalha menos e se ganha mais.

Hoje tô aqui, como na foto, de pés para cima. Preocupado com meu trabalho, com meu futuro, com as minhas contas que precisam ser pagas. Tenho alguns assessorados que confiam e gostam do meu trabalho. Não durmo em serviço. Mas enfim... quem tem garantia de alguma coisa. Vou seguindo o fluxo da vida. Se mais adiante a Petrobrás ou o MinC da vida me chamar, tô dentro. Mas se amanhã eu precisar vender coco na praia, só vou lamentar a brancura da minha pele, porque do batente eu não fujo.

Precisando de Assessoria aí?

Foto: arquivo pessoal

That's all folks!

posted by ZÉ | 12:00 AM | 40563353 | |


Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009

ELLIS



Fico impressionado com o poder de um texto bem escrito. Desde que comecei esse movimento de publicar meus pensamentos, conheci pessoas, abri espaço para algumas discussões sobre as relações humanas; tive pensamentos que outros ainda não tiveram, alguns originais e outros uma releitura daquilo que já sabemos. Estou longe de querer pensar só com a razão, ou ser dono de qualquer verdade, pelo contrário... sou o feliz proprietário de uma sensibilidade ímpar e de um coração gigante que também é meu guia. Minha proposta aqui é apenas pensar a vida – a minha e a dos outros.

O mais legal disso tudo é que tô fazendo novos amigos, muito mais reais do que virtuais.

Sempre tive um pensamento pré-concebido com relação aos “ratos” de academia. Julgava com certo preconceito e achava que cultuar o corpo era contrário ao culto do pensamento.

Pintava o estereótipo do nerd como o cara de óculos, muito pálido e feio. Ou o sujeito era muito estudioso, passando horas trancafiadas no quarto; ou o sujeito era esportista, menos intelectual, porém com um belo físico de músculos desenvolvidos. Eu odiava as aulas de Educação Física. Para mim não tinha o meio termo, mas eu estava completamente equivocado!

O grego faz culto ao corpo desde a antiguidade e foi lá que nasceu o esporte olímpico. Para eles a olimpíada era uma celebração aos deuses. Você conhece o David de Miguel Ângelo? Um rei que supostamente viveu mil anos antes de Cristo. Observe o que é o abdome daquela criatura. Tenho a maior inveja! Dá uma checada também nos aprovados à faculdade de direito da UFRJ, só gente bonita e sarada!

Com isso, acabei cedendo aos encantos da malhação... não, preciso chamar de treino para parecer moderninho! Treino cinco dias da semana, faço três dias alternados de exercícios aeróbicos e minha querida amiga ta insistindo para que eu faça algumas aulas de Yoga. Tô quase aceitando. Para completar a disposição tomo muito Whey, BCAA, e como muito peito de frango grelhado com arroz integral. Eita... uma superdose de proteína me deixa forte o bastante, mas com um tremendo mal hálito! A relação aqui é de custo benefício. Vale à pena! É só beijar menos.

Acho que a cena mais absurda que presenciei numa academia, que eu treinava há algum tempo, foi de uma loura. Não pela loura, ela realmente tinha um corpo escultural, mas pela atitude. Imagine o Código Civil Brasileiro aberto sobre uma máquina de desenvolvimento para glúteo e uma loura deitada sobre ele, de bruços. Não entendi se o esforço era muscular ou intelectual.

Outro dia um amigo vindo de São Paulo me contou o seguinte episódio: “Paguei uma diária numa academia aqui no Rio e me chamou atenção uma garota que usava meias brancas de cano longo, dessas até o joelho, tipo aquelas que os jogadores de futebol usam. Pareceu-me de um mau gosto, o dia estava extremamente quente, e o visual era estranho. Ok. Ela, até então, era apenas um garota de mau gosto. Quando entrei numa sala de ginástica vi que todas as garotas usavam a dita meia branca!”

Semana passada me surpreendeu o gesto de uma nova amiga, na academia. Diga-se, ela é professora, gatíssima, e de quebra é super inteligente. Viramos parceiros de pedalada. Disse ela – já faz três dias que trago um texto meu para você ler e não te encontro aqui. Acho que está na minha bolsa, vou pega-lo para você ler -. O título: Começando a escrever. O texto era de agradável leitura, sensível, e de muito bom gosto.

Tô pensando em fazer um pacto com a garota. Ela me dá ânimo para pedalar e eu dou a ela ânimo para escrever. Adoramos pedalar e falar das relações humanas. Ela é leitora dos meus textos e a mais nova candidata para escrever os seus. Detalhe... nunca vi ela com as tais meias brancas, mas também se usasse já teria me convencido de que ela também treina o seu intelecto e a sua psique.

Bem... esse texto eu escrevi para Ellis! Valeu pelas palavras carinhosas que você me fala. Valeu pelas pedaladas e pelo incentivo ao treino e ao texto. Seja bem vinda a minha vida. Tô indo ao teu encontro para a gente treinar!

Fotos: arquivo pessoal

That's all folks!

posted by ZÉ | 9:11 AM | 40561916 | |


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