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Sábado, Fevereiro 07, 2009
FADA AZUL de Pinóquio
Por favor, eu só quero ser um menino de verdade!
A frase acima é de David, do filme A.I. Inteligência Artificial, de Spielberg. Eu, particularmente, acho que a visão que Steven tem da evolução humana, e da vida em outros planetas, é fascinante. Nessa história o diretor propõe que, num futuro, com a elevação dos mares devido o aquecimento global, a terra voltará à era glacial. Seus habitantes serão metade seres humanos e metade andróides.
Vejo que realmente caminhamos para isso. Basta olhar a grande necessidade de que as máquinas façam o nosso trabalho, seja no esforço dos braços mecânicos, por nossas limitações; seja por nosso esforço mental, igualmente limitado. Ninguém calcula como uma máquina, nem tem sua força motora.
E o GPS, o rastreamento por satélite? Ouviu falar na nanotecnologia? Trata-se da tecnologia em tamanho miniatura. Você já imaginou o dia em que tivermos um Bluetooth implantado no cérebro? Vai ser tão mais fácil trocarmos informação!
Em A.I., o desejo do pequeno David era tão somente ser transformado num menino de verdade. Toda sua vontade, ainda que programada, era ser aceito por sua mãe. Combinamos que isso vai muito além da ficção e é muito mais real do que supomos? Quantos são os filhos rejeitados? Santa sabedoria a de Spielberg traçar um paralelo entre o desejo de David, o desejo do Pinóquio de Carlo Collodi, ou o desejo de muitos meninos de verdade.
David aguardou por dois mil anos, após ter encontrado a Fada Azul, para que seu desejo fosse realizado. Na verdade, o desejo de ser transformado num menino de carne e osso jamais se tornaria real. Após esse longo período o andróide é encontrado por robôs mais evoluídos que sobreviveram à era glacial. Estes o concedem o direito a um único pedido. David pede para ter sua mãe de volta. Pela primeira vez em sua vida o pequeno vai parar no lugar onde nascem os sonhos – o reencontro tão esperado.
Há alguns anos caiu na minha mão um livro chamado A vida em Marte e os discos voadores. Seu autor fala da existência de vida naquele planeta. Ramatís diz que seus habitantes estão num estágio mais evoluído que o nosso. Esta escala da evolução diz respeito à quão pesada é nossa matéria, se comparada à deles. Ou seja, quanto mais fluída e leve, a composição da massa, mas purificados e perfeitos supúnhamos ser.
Para se ter uma idéia, o autor argumenta que, assim como os E.T.s de Spielberg, eles são altos e magros. Suas cabeças são grandes e carregam mais massa cefálica; suas cinturas são fininhas por terem estômagos muito pequenos, se alimentando de pequenas cápsulas que contém todas as vitaminas e minerais necessários. Sua locomoção, se não me engano, se dá também por flutuação e o sexo é praticado por telepatia. Entretanto, esta obra é uma psicografia. Acreditar ou não é a escolha de cada um.
Precisamos considerar que, embora a publicação desse livro esteja na 17ª edição, a Rover - o carrinho espião lançado pela NASA, ainda não tinha pousado no solo do planeta vermelho. Você viu as fotos enviadas pela tal navezinha? Hum... e por onde andam os marcianos de Ramatís?
Você lembra-se do E.T. de Passo Fundo? Aquele que aparece numa cena do filme Sinais? É uma filmagem real vista num documentário pelos personagens de Mel Gibson e seus filhos. Continua valendo o biotipo descrito por Spielberg, contudo, no filme de M. Night Shyamalan, eles são bastante hostis. A invasão dos alienígenas se dá pela busca de recursos naturais e pelas reservas do nosso planeta.
Fica uma questão: por que não vemos a vida nos outros planetas, uma vez que preferimos acreditar que não estamos sozinhos na imensidão do universo, mas vemos o planeta em si?
São várias as linhas de pensamentos e especulações a respeito. Fui buscar uma explicação convincente e li o seguinte: visto que a composição dos seres dos outros planetas não faz parte da nossa tabela periódica, não sendo compostos de oxigênio e hidrogênio, nós, pobres mortais, não podemos visualizá-los.
Se tivessem dito que a vida lá é microscópica, ficaria mais convencido!
Acho que no fundo todos nós esperamos o dia do encontro com a Fada Azul. Os mais radicais devem preferir ser abduzidos por E.T.s. Embora, no filme, a fada seja apenas um brinquedo de um parque de diversão submerso no mar, ou povoe apenas a imaginação do boneco de madeira, a minha fada ta mais próxima de Nossa Senhora. Fechar os olhos e imaginar a Santa ou a Fada nos dá esperanças de um dia encontrarmos o lugar onde nascem os sonhos. Preferencialmente os nossos!
O pequeno David só queria ser um menino de verdade. Aceitou, ainda que por um pequeno instante – apenas um dia, eternizar o amor que sentia por sua mãe. Não importa se esse amor tenha sido programado. Penso que nós humanos também fomos programados para amar. Se humanos, se marcianos, se E.T.s, se andróides, se híbridos ou inteiros, ou mesmo Pinóquios, o que vale é a busca pelo amor de verdade!
Acredito em tudo o que escrevi. Acredito em seres superiores a nós; e também acredito no amor, ainda que às vezes ele próprio pareça um E.T.!
Foto: Imdb.com
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ZÉ | 8:32 PM | 40561064
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Domingo, Fevereiro 01, 2009
SAINDO À FRANCESA
Você já ouviu falar no Giro Sufi? Imagino que não. O giro é uma técnica de meditação muito antiga, mas pouco conhecida aqui no Ocidente. Sua origem se deu no Oriente Médio e seu mestre é turco. O Sufismo é uma corrente mística do Islão. Seus adeptos buscam uma relação mais próxima do seu Deus, através de cânticos e da dança.
A dança consiste em um giro que o indivíduo dá sobre o próprio eixo do corpo. Veste-se uma saia longa e rodada para dar equilíbrio; os braços ficam entreabertos na altura dos ombros, a mão direita fica voltada para cima e a esquerda para baixo. Busca-se a energia do céu para entregar à Terra; devolve-se ao Universo aquilo que você obteve de mais puro. O tempo do giro é de quarenta e cinco minutos, mas só se consegue esse tempo com preciso equilíbrio e muita concentração.
Tive acesso à técnica numa oficina que participei no Tepa. Minha mestra era Daniela Carmona. Aprendi muito! Francamente reconheci nela o que ainda não conhecia em mim.
O objetivo da dança Sufi é levar o sujeito a um grau de consciência mais elevado. Como na meditação, a busca é a ausência do pensamento – a perfeição. A vantagem do giro é que fica impossível você conseguir pensar se não no esforço do equilíbrio. Já presenciei muitas tentativas de acertos e muitos colegas, literalmente, amontoados no chão. Se você cair chama o médico! Para sair do estado de rotação é preciso ter toda a calma, é lento, até que se volte à frequência inicial do seu corpo. Se cair... vomita!
Já consegui os 45 minutos do primeiro estágio! É essa a máxima de Rumi, o fundador da corrente:
Num giro secreto em nós faz girar o universo. A cabeça desligada dos pés, e os pés da cabeça. Nem se importam. Só giram e giram.
Outro dia fui ao aniversário de uma amiga muito querida. Quando uso a palavra ‘querida’ realmente faço referência ao quanto quero bem aquela pessoa. Não que a pessoa seja “queridinha”, pelo contrário, é porque realmente o indivíduo é querido por mim! Bem... a festa estava ótima, muitos convidados charmosos. Tocava uma música lounge ao fundo. Nada que você precisasse gritar para ser escutado. Se bem que pouco falei. A comida foi preparada com todo o cuidado. As entradas eram apetitosas; os pratos quentes estavam deliciosos; as sobremesas davam água na boca só de olhar. O espaço era grande, muitas almofadas estavam jogadas pela casa, algumas velas na varanda, e por todo ambiente predominava a meia luz! Pronto... o cenário perfeito, o ambiente muito delicado, e tudo preparado com muito carinho!
Mas, infelizmente, a festa não tinha sido preparada para mim! Ou melhor... eu não estava preparado para a festa da minha querida amiga!
Sabe quando tudo está bom demais. Você tem muito carinho e respeito pelo anfitrião. Você é tratado por ele com todas as honras necessárias e fica constrangido de pular fora? Pois é... definitivamente eu não queria estar ali. Minha cabeça estava longe... nos meus problemas, nas minhas contas; em pessoas que desejavam a minha companhia, em companhias que eu desejava; em coisas que tinha me proposto enfrentar, enfim. Tudo estava tão perfeito que autenticou em mim todas as minhas imperfeições. Consegui me ver um tremendo estraga prazeres dos outros!
Vi um documentário na Discovery, se não me engano, de um sujeito que há uns vinte dias se alimentava de luz. Sim... pelo o que entendi, ele tomava água eventualmente. Estava sentado na posição de Shiva, da meditação, ao pé de uma enorme árvore e de olhos fechados. O sujeito experimentava algo de dar inveja em qualquer discípulo das técnicas milenares. Nem mesmo a ciência ou a medicina conseguem explicar o tal estado da mente e do corpo – o transe.
Qualquer que seja o movimento em que estamos é tão importante compreendermos que ele é cíclico e contínuo. Tenho insistido para mim mesmo que os ciclos precisam ser fechados, o que não quer dizer que eles tenham fim. Todo movimento tem início, meio, e fim, mas pode se repetir.
Entretanto, não dá para começar as coisas na vida e deixá-las inacabadas. Apesar de existir o movimento de recomeçar! É preciso concluir o curso para se ter direito ao certificado. É preciso ler o livro até a última página para se entender o final da história. Não dá para beber metade da garrafa de Chandon, no outro dia pode colocar o restante fora. Acredite! Não dá para fazer a barba pela metade; cortar só as unhas da mão direita. Não! Essas escolhas precisam ser completas!
Tenho na minha varanda uma Tuia (Thuja occidentalis). Ela é completamente dependente de mim. Meu pinheiro só conseguirá sobreviver se eu der a ele um pouco de água a cada dois dias; se a cada meio ano eu jogar um adubo naquela terra; se em cada Natal eu enfeitá-lo de luzinhas pisca-pisca!
Minha querida amiga olhou para mim e perguntou o que houve – que cara é essa, você está se sentindo bem? Ah... tratei de deixá-la completamente tranquila e feliz. Com um único olhar ela entendeu que eu não estava muito bem humorado naquele dia. Que sentia saudades de alguém, que queria estar bem longe de tudo. Mas, acho que de todas as minhas atitudes nessas ocasiões, apesar de ter me saído mal em função da minha carranca, o que melhor sei fazer é sair à francesa! Aprendi isso!
Penso que agindo assim, fica bom para mim, fica bom para o outro. Quase não aviso quando estou indo embora. Não preciso anunciar os finais da minha vida, nem tão-pouco causar danos. Quando me dou conta percebo que nem era tão querido ou necessário assim. Fica tudo bem... eu sigo, o outro segue, o mundo gira e os sufistas também... e ninguém vomita, nem o estômago e nem o coração!
Foto: danças do mundo.pt
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ZÉ | 12:14 PM | 40555793
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