AUTOR
Joseph Meyer
Jornalista
Rio de Janeiro
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Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

VENDO CAMAROTE



Levantei cedinho da cama... são 5 e 56 da manhã. Tava sem sono e com o pensamento agitado. Veja na imagem o presente que o dia nos preparou – uma bela manhã de sol, pelo menos aqui no Rio. Ao fundo, observe a Pedra da Gávea, um espetáculo à parte. É esta a visão que tenho da minha varanda; do melhor camarote da minha vida. Dra. Sandra diria – garoto... eu sei que você adora um dia de chuva. Particularmente acho os dias de verão muito quentes. A sensação que tenho nos dias de chuva é de que estou no pé da serra, lá no interior do Rio Grande. Outro espetáculo da vida!

Ontem um amigo levantou uma questão, que confesso ter me causado incômodo. Foram três breves perguntas que mexeram comigo. E olha que eu disse que o cara é meu amigo! De qualquer forma tratei de me defender. – Para que servem as tuas crônicas? Para fazer auto-análise? Você passa quanto tempo pensando no que vai escrever? Modéstia, ele as lê!

Pronto... mania de jornalista. Tudo o que ouço ou vejo posso transformar em texto. Basta aguçar um dos meus cinco sentidos. Para quê? Consegui transformar em escrita o questionamento do sujeito. Mas não estou sozinho, tô acompanhado de um belo chimarrão. Para quem não conhece a cultura do chimarrão, eu me comprometo a publicar um texto exclusivo sobre essa bendita companhia.

Mas, me defendi – olha só rapaz: você pode me estimular a fazer muito na vida, mas não me peça para não escrever. Eu tenho consciência de que estou apenas publicando crônicas, mas quem sabe um dia me torne um Veríssimo, um Mainardi; quem sabe consiga discorrer sobre as relações humanas como a Marta Medeiros ou a Lya Luft; ou melhor, vou escrever como o Goldin. Por ora, permita que eu me exercite ainda que o universo do meu conhecimento seja minúsculo. Além de servir como um excelente exercício de raciocínio, certamente alguém pode ser tocado pelo o que penso.

Como a vida é generosa comigo. Nunca fui um cara de muita grana, muito menos de grandes influências, mas a sorte sempre me sorriu. Ouvi dizer que a gente só atrai aquilo que merece. Eu, como não sou burro, tento vibrar numa boa frequência para que, pelo menos, consiga expulsar o que não desejo. Muitas vezes fui ingrato, reclamando de coisas e pessoas que a vida me levou, mas algum tempo depois entendi que aquilo não era para mim.

Não posso deixar de anunciar que ontem fechei um contrato com a Revista Veja. Fiz uma assinatura de três anos. O próprio seu Veja me ligou com uma oferta imperdível. Ficou um pouco pesado para o bolso, mas será debitado em suaves parcelas no meu cartão de crédito. Eu sei que a revista é meio monopolizada, tendenciosa, e definitivamente tucana, mas pior é não tê-la para ler.

Você já ouviu falar no disputadíssimo Camarote da Brahma? Estar nele é sinônimo de status. É, muito mais, para aparecer na revista; na TV. Eu confesso que vou lá para comer bem, beber de graça, e para tentar ver a escola de samba passar. Ver o carnaval mesmo é quase impossível porque são duas mil pessoas disputando um lugar na frente. Você acredita que dentro daquele espaço existe um cercadinho chamado de vip do vip? Sim... lá só entram Maradona, Gisele Bündchen, Ronaldo, Jean Clove Van Dame, enfim. Lá, eu não entro. Adoro a teoria de um amigo que diz – Vip para mim é quem paga mais e é mais bem servido! Concordo!

Como faço A.I. (assessoria de imprensa), para personalidades, tenho a honra de negociar algumas companhias para o tal evento. A honra que me refiro é pelas personalidades que assessoro, não pelo evento. Recebi um telefonema mais ou menos assim – você pode fazer a gentileza de ligar para o camarote e confirmar a minha presença? Eu gostaria de levar, além do meu acompanhante, um casal de amigos. Você pode levar mais alguém se preferir. Sim... posso escolher mais alguém para me acompanhar vida afora; para os camarotes Vips, para o da Brahma, o da Itaipava; para os camarotes da Bahia, diga-se que o Menezes é um luxo; para ilha de Caras; para os prêmios Contigo; enfim. Já falei que a vida sorri para mim.

Minha companhia de ontem foi ótima. Fazemos juntos uma auto reflexão sobre os movimentos da vida. Adoramos! Cada qual faz análise há anos. Outro dia, outro amigo fuçou na minha biblioteca e teve a audácia de dizer – nossa... você só tem auto-ajuda aqui. Restou-me outra defesa - isso não é verdade! Já recebi inúmeros livros de presente que tratam do assunto, mas quase todos os livros que compro falam sobre psicanálise. Atualmente o meu autor preferido é Fritjof Capra, Ph. D. pela Universidade de Viena. O cara escreve sobre Física de alta energia e suas pesquisas foram publicadas primeiramente na Europa e EUA. Entre alguns pontos fortes da sua obra estão às implicações filosóficas da ciência moderna.

Voltemos à companhia de ontem. Fui levado, pela quarta vez, para malhar na A! Body Tech. Peço desculpas pela cognição das “físicas”. Meu intuito é falar sobre – companhias. Você conhece a dita academia? Colocou a minha no chinelo. E olha que costumo treinar na academia de tênis do Ivo Pitangui. Mas esta primeira é de deixar qualquer “moromba” de queixo caído e peitoral muito inflado. São salas e mais salões de dar inveja nos gregos. Só de bikes para spinning umas trezentas; aparelhos de musculação, todos computadorizados, uns duzentos; piscina, vestiários, saunas, cafés, centenas de armários, dezenas de funcionários, ar central, e muita água potável geladinha. Por quanto? Umas quatrocentas pratas por mês. Ainda bem que na ocasião eu estava como convidado!

Então... como dizem os cariocas, eu preciso encerrar a minha crônica de hoje. Meus pensamentos surgem com cognições estranhas. Melhor pararmos por aqui. Pelo menos num primeiro momento. Se você ficar atento aos seus pensamentos, dará conta de que você se enrola ao máximo para dizer apenas uma única verdade.

Para concluir, preciso dizer que hoje, em 29 de janeiro de 2009, nossa moeda é Real; o salário mínimo paga 415 de real; o dólar comercial custa R$ 2,273 para quem compra; e a poupança rende 0,716 ao mês, para quem tem algum guardado. E para ficar claro, preciso dizer que estou vendo e não vendendo o camarote da Brahma. O verbo é – ver. Só me falta ver uma boa companhia (nesse caso do infinitivo pessoal)!

Foto: arquivo pessoal

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posted by ZÉ | 6:28 AM | 40553203 | |


Terça-feira, Janeiro 27, 2009

HOJE 27



Hoje, se pudesse, eu correria pro Santos Dumont pra pegar a próxima Ponte Aérea. Que vontade de ir ao teu encontro e aparecer com toda a festa montada... com direito a bolo com velinha, língua de sogra, brigadeiro, chapeuzinho, muitos balões e teus melhores amigos.

Hoje, me deu vontade de prestar uma homenagem à pessoa mais importante da minha vida. E pra quem também tenho a certeza de ser. Para aqueles que cruzaram o teu caminho saiba que você é um presente indescritível, incomparável, indispensável e insubstituível. Alguém que faz do outro um ser melhor. Alguém que se permite e que faz toda a diferença para os que estão atentos. Toda a diferença em si, pro outro, pra vida e pra nós!

Se existe uma alma generosa nesse mundo, ela cruzou por mim. Muito menos pela generosidade do que é perecível, do que posso tocar, mas muito mais pela generosidade intelectual; pelo campo dos sonhos. Acho que o tempo nos deixa melhor, mais sábio, íntegro e sem pressa.

Aceito um pensamento que diz que encontramos um pouquinho da nossa cara metade em diversas pessoas. Cada um nos traz mais ou menos felicidade. Podemos nos completar com o carinho todo especial de um, mas também com a atenção de outro. Podemos nos completar com a serenidade de um, mas também com a alegria do outro; com o jeito descontraído, com a disposição, com afinidades e similaridades; com gostos, preferências, enfim. Tudo isso não está reunido numa mesma pessoa. Pelo contrário, está espalhado nas várias almas que cruzam o nosso caminho. Muitas vezes, a pessoa que você diz amar não te completa no todo. É esse o processo da relação; o processo da relatividade do amor. Pode até ser bom, quanto mais completo mais perfeito. Mas geralmente um é o norte e o outro se perde pelos outros pontos cardeais.

Claro, aprendemos a amar e estar com uma única pessoa. Nem me proponho discutir aqui sobre os padrões religiosos das convenções sociais, nem mesmo sobre fidelidade. Definitivamente não é essa a questão. Contudo, você se dá conta de que, mesmo tendo um grande amor, você tem outros amores disfarçados de amigos? Claro que você tem limitações pra com eles, definitivamente não dá pra levar todo mundo pra sua cama! Leve apenas quem você ama. Mas é justamente nessa outra parte que está o gozo dos amores que temos.

Você consegue perceber o outro através do olhar?

Nossa... pra mim esse movimento é muito real. Vejo na íris dos olhos de quem encaro fragmentos da sua própria história. Imagino a história das suas outras vidas também. Vejo os conflitos, as verdades e as mentiras; vejo um ponto de vibração, a energia e o caráter contidos ali. Já me enganei algumas vezes. Confesso que o olhar colorido me causa inquietação. Mas fico com a parte de mim que mais acertou e que sabe reconhecer através dos olhos – do espelho de nossas almas – o outro.

Você já ouviu falar no sexo dos anjos?

Pois é... assim me vejo com relação aos grandes amigos da minha vida. Ora homens, ora mulheres; ora loucos e ora santos. Mas sempre anjos. Amo-os não pelo gênero, mas por suas ocupações no Universo.

Hoje, eu voaria ao teu encontro. Pra me certificar do espaço que ocupo em ti. Pra legitimar tudo aquilo que já sabemos ser real. Pra me certificar de que algumas pessoas valem muito à pena, mesmo que sem garantias. Pra dizer que te amo. Amo-te sem rótulos, sem tabus, sem máscaras. Amo-te como aos amigos, como aos amores e como aos anjos!

Parabéns pela pessoa que você representa! Que Deus te dê muita saúde. Parabéns pelo teu trabalho! Parabéns pela tua obra!

Foto: Gettyimages

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posted by ZÉ | 12:01 AM | 40551066 | |


Segunda-feira, Janeiro 26, 2009

MESTRE CUCA



Você já teve a oportunidade de tomar um café colonial, num dia ensolarado e frio, na cidade de Gramado? Não? Pois bem... vou tentar descrever o quê a gente sente quando vê saltar aos olhos aquela mesa imensa, cheia de guloseimas.

Os pães são os mais variados; os biscoitos parecem ter recém saídos do forno de lenha. Têm os amanteigados, os de polvilho; os de farinha de maizena, de milho, de rosca. As geléias são as mais diversas, dos frutos tropicais mais deliciosos que se possa imaginar. Têm as de morango, de figo, de amora, as de ameixa, de pêssego. Os bolos e as tortas são de dar água na boca. Marta Rocha nunca se sentiu tão desejada quanto naquela magnífica e distante colônia alemã.

Preciso mencionar aqui algumas curiosidades que são costumes daquele povo. Lá o biscoito é também conhecido como bolacha. A bolacha de Natal, que vem confeitada com açúcar e pedrinhas comestíveis coloridas, é um espetáculo à parte. O doce de leite tão famoso em todo o Brasil é chamado de “mumú”, graças a uma marca de laticínio famosa que leva esse nome.

E a chimia? Já ouviu falar? É uma espécie de geléia, composta de várias frutas, incluindo batata doce. O tal recheio é tão famoso quanto o próprio “cacetinho” que o acompanha. Sim... eu disse cacetinho! Nome carinhoso que é dado ao tradicional pãozinho francês.

Você já comeu a famosa cuca alemã. Ah... essa é quase indescritível, incomparável, e super calórica. Trata-se de uma massa de pão coberta geralmente com açúcar amassado na banha e na farinha, um tipo de farofa doce. Há também as suas variações, como a cuca de coco, de laranja, de goiaba, e por ai vai. Todas são igualmente deliciosas.

Mas, o cuca do título da minha crônica é um substantivo masculino, vindo do inglês ‘cook’ – cozinheiro. Pode-se até pensar no sentido de raciocínio, intelecto, que serão necessários para a boa cozinha. E o mestre como sabemos é quem ensina; de muito saber. Daí o – mestre cuca.

Dos chefes de cozinha que conheço pessoalmente, dois me chamam a atenção – o Dr. Flávio e a dona Nilza. Não vou falar da maravilhosa comidinha preparada por minha mãe. Não vale! O primeiro é graduado e doutorado em cozinha internacional; a segunda é graduada pela vida, mais precisamente sessenta anos de cozinha baiana. Porreta!

Do que aprendi com eles dou preferência ao tradicional franguinho. Dispensei a carne vermelha da minha refeição. Esse processo foi tão natural, cheio de referências a pessoas que admiro, e muito espontâneo. Nada de radicalismo porque sou campeão em modificar pensamentos, decisões. Arrependo-me fácil, enfim. Hoje tô mais para macrobiótico do que qualquer outra classificação.

Com Flavio aprendi a cozinhar um belo risoto de bacalhau, acompanhado de um Cabernet. Que prato delicioso! E, de sobremesa vai um Manjar de coco diet. Já recebi vários amigos e ofereci o dito que fez um grande sucesso. Mas, como de costume, dou um pequeno toque pessoal. Para ficar com a minha cara, alterei levemente a receita, jogando por baixo folhas frescas de rúcula. Até o nome passou para Risoto de bacalhau ao leito de rúcula. Deu água na boca? Olha que você não conhece a minha última descoberta – um belo Fricassê de frango, acompanhado de um Suavignon Blanc, bem gelado, e a companhia de bons amigos.

Tenho o hábito de sair para jantar pelo Rio e logo percebo a diferença cultural que influenciou a tradição dessa cidade. Se, por um lado, há uma mistura das culturas de muitos povos, por outro, aqui é uma cidade de praia. Tem comida árabe, japonesa, tailandesa, francesa, italiana, e a portuguesa predominantemente. Mas, é o peixe que é fresco e o chope sempre gelado. Se lá no Sul aprendi a comer o Schucruts – repolho cozido em conserva - aqui no Rio aprendi a dar valor muito mais para os amigos, do que necessariamente os pratos que acompanham as minhas mesas e as minhas noitadas.

A você, que ta sempre na minha companhia, um brinde às delícias gastronômicas; aos bons pratos; às boas receitas; aos inúmeros jantares; ao bom vinho; aos mestres e ao bom papo. Um brinde à vida! Um brinde a nossa amizade!

Foto: Gettyimages

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posted by ZÉ | 3:05 PM | 40550519 | |


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