TEORIA DA BOLHA

Você percebe o tempo dos ciclos? Alguns são rápidos, passam despercebidos, mas não menos importantes. Outros são longos, parecem infinitos, mesmo que acabem sem que você tenha percebido. E os ciclos do coração e das amizades? Parafraseando Wilde: "a amizade é mais trágica do que o amor: dura mais".

Sempre fui um cara de muitos amores. Tive poucos colegas, mas bons amigos. Dizem que a amizade e o amor se vedam um no outro que muitas vezes amamos nossos amigos como se fossem nossos amores.

Outro dia alguém disse que me achava um cara meio melífluo, muito maneiroso e cheia de lábia. Consegui extrair o melhor sentido dessas palavras. Sinto-me sem raízes, meio do mundo, pelo menos em parte. Saí cedo de casa, mas tenho aquele local como santuário sagrado. Na casa dos meus pais terá sempre alguém me esperando. É um lugar de paz.

Você sabe o tempo biológico que tem? Esse tempo é cruel e irreversível. Tomo os combatentes do radical livre há anos. Mas, vou me contradizer, acredito que a busca desenfreada pela juventude eterna só nos aproxima do fim.

E o tempo da nossa alma? É esse o tempo que importa. Ele está impresso, como no rolo de um filme, para trás e para frente, nas partículas subatômicas da evolução. A ciência já provou que o tempo, como percebemos, é ilusão. Sabe-se lá em que capítulo, em que frameset nos encontramos.

Você já ouviu falar na Teoria da Bolha? Provavelmente não, porque ela é minha e meus estudos são tão primários que nenhum editor ousou publicar. Vou dividir com você mesmo que no final você role de rir. A minha teoria, aparentemente, é lamentável e triste.

Pergunto-me diariamente: o quê estou fazendo aqui? Qual a minha real função nesse espaço e tempo, nesse mundo? Até que ponto consigo me modificar ou exercer alguma influência positiva no outro? São perguntas que insistem por respostas quase nunca encontradas.

A evolução da alma é individual, já a evolução das comunidades é coletiva e você está dentro delas. Ou seja, ou você acompanha o progresso ou retrocede sozinho.

Sou Cristão e ouvi desde criança que precisava praticar o bem para me tornar um cara melhor. Beleza! Melhor para mim e para o mundo. Entretanto, quanto mais informação filosófica você obtém, menos aceita o que lhe disseram ao longo do tempo. Uma vida de resignação e calvário não é para mim, e provavelmente também não seja para você. Nossa função é outra. Como seres evoluídos, precisamos entender das várias ciências para daí nos tornarmos melhor.

Para quê tudo isso? Para fazermos parte da "Grande Bolha Final" da evolução humana.

Para mim, somos como uma célula de um ser uno. Várias células unidas formam um coração que trabalha junto de vários outros órgãos que fazem o ser viver. Esse último vive dentro de organismos mais complexos, porém finitos, e assim sucessivamente. Com isso, a evolução individual e coletiva caminha para essa unidade, a "Grande Bolha", que não vive de matéria, mas apenas de fluídos. Bom, essa é outra história, menos científica e mais espiritualizada.

O quê tem de triste até então? Acho que à medida que evoluímos nos tornamos menos unitários, para fazer parte desse todo harmônico e uniforme. Tudo isso para existirmos no mundo do que é real.

Por que falei tudo isso? Para me convencer e, talvez, convencer você de que a nossa importância é relativa. Somos uma bolha tão pequena, mesmo que "seres-bolhas" imprescindíveis no Universo, dentro desse ciclo que se fecha a todo instante.

Aproveite as várias "bolhinhas" que flutuam sobre a tua realidade, que cruzam a tua vida. Será que nessa deriva você terá uma nova chance de estar entre elas? Sabe-se lá se você mesmo existirá amanhã nessa mesma forma que tem hoje.

Aproveite para repensar a tua vida, as tuas ações, o teu tamanho.

Permita-se refletir no espelho da vida e amplie a tua visão. Entenda os sistemas maiores para aceitar que algumas atitudes e particularidades não valem a pena.

Para concluir, vou citar um pensamento de I Ching:

“Ao término de um período de decadência sobrevém o ponto de mutação. A luz poderosa que fora banida ressurge. Há movimento, mas esse movimento não é gerado pela força. O movimento é natural, surge espontaneamente. O velho é descartado, e o novo é introduzido. Ambas as medidas se harmonizam com o tempo, não resultando daí, portanto, nenhum dano”.

Zé.

That´s all folks!

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O AUTOR

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